O governador Elmano de Freitas (PT) embarca neste fim de semana para Nova York, onde irá integrar, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a comitiva oficial brasileira que participará da 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas, realizada entre os dias 21 e 24 de setembro.
A autorização para a viagem, bem como o pagamento de diárias no valor de R$ 2,5 mil ao governador, foi publicada no Diário Oficial do Estado nesta quinta-feira (18). A portaria foi assinada pelo secretário da Casa Civil, Chagas Vieira.
Já na próxima terça-feira (23), Lula abre o debate geral da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU). No discurso, deve tratar de temas como soberania, democracia, multilateralismo, mudanças climáticas e a guerra na Faixa de Gaza.
Embora o conteúdo final do discurso só deva ser fechado na véspera do evento, integrantes do governo afirmam que Lula usará a fala para reforçar posições já defendidas por ele em fóruns internacionais e enviar recados em tom diplomático ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Lula será o primeiro chefe de Estado a discursar na assembleia. Seguindo a tradição, o Brasil abre as falas de presidentes, primeiros-ministros e diplomatas no evento. Na sequência, fala o representante dos Estados Unidos, o que aumenta a possibilidade de Lula e Trump se encontrarem nos bastidores da ONU.
A expectativa é de que o presidente brasileiro reitere a defesa da democracia e da soberania nacional, linha adotada desde que Trump impôs uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros. A medida foi interpretada pelo governo Lula como uma tentativa de pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) durante o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado por tentativa de golpe de Estado.
Lula criticou publicamente a postura do governo norte-americano e, após o julgamento, tem ressaltado a independência do Judiciário brasileiro. A defesa do sistema democrático e da soberania do Brasil deve, portanto, ser um dos eixos centrais da fala do presidente.
Elaborado com apoio de assessores e ministros, o discurso também deve abordar a necessidade de reformas em organismos internacionais, como a própria ONU, com destaque para o Conselho de Segurança, além da defesa de relações diplomáticas equilibradas entre os países.
Outro tema esperado é a cobrança por um cessar-fogo nos conflitos internacionais, como as guerras na Ucrânia e na Faixa de Gaza. Em relação à guerra na Europa, Lula tem defendido uma solução negociada que envolva diretamente Rússia e Ucrânia. Sobre o conflito no Oriente Médio, o presidente critica a intensidade da resposta militar de Israel aos ataques do grupo Hamas, considerando que há uma tentativa de expulsar os palestinos da região. Lula é favorável à criação de um Estado palestino que possa coexistir com Israel.




