Play Video
Brasil

Pela 1ª vez, Brasil tem mais alunos na graduação a distância do que em cursos presenciais

O Censo do Ensino Superior 2024 também mostra que 95% dos alunos matriculados em cursos a distância estudam em faculdades particulares
Por José Gabriel Herculino
Atualizado há 9 meses
Tempo de leitura: 6 mins
Compartilhe a notícia:
O Censo do Ensino Superior 2024 também mostra que 95% dos alunos matriculados em cursos a distância estudam em faculdades particulares. Foto: Divulgação

Pela primeira vez na história, o Brasil registrou mais alunos em cursos de graduação a distância do que na modalidade presencial. Dentre os 10,22 milhões de estudantes do ensino superior no país, 5,18 milhões estavam matriculados no EAD em 2024 ー 50,75% no total.

Os dados são do Censo do Ensino Superior 2024 e foram divulgados nesta segunda-feira (22) pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), órgão do MEC (Ministério da Educação).

O levantamento também mostra que 95% dos alunos matriculados em cursos a distância estudam em faculdades particulares. 

Desde 2020, o Brasil já tem mais estudantes ingressando em cursos a distância do que em graduações presenciais, porém, está é a primeira vez que isso acontece também no total de matriculados do ensino superior. 

Mais de dois terços dos ingressantes no ensino superior (67%) em 2024 foram para cursos EAD, o que representa mais de 3,34 milhões de novos alunos. As graduações presenciais, por outro lado, receberam 1,66 milhões de novas matrículas (33%).

Desde 2014, o número de novos alunos em cursos presenciais diminuiu 30%. Naquele ano, a modalidade registrou 2,38 milhões de novas matrículas, ou seja, 720 mil alunos a mais do que em 2024. 

Os cursos a distância, em contrapartida, tiveram um aumento de 360% no número de ingressantes. Em 2024, eles receberam 727 mil novos estudantes.

De acordo com Carlos Moreno, diretor de estatísticas educacionais do Inep, o EAD tem levado ao encolhimento de cursos presenciais noturnos. As graduações com aulas à noite tinham mais de 4 milhões de estudantes em 2014. Já em 2024, elas tinham apenas 2,7 milhões ー uma baixa de 33,2%.

“Os estudantes estão preferindo estudar no ensino a distância do que frequentar os cursos presenciais noturnos”, comentou Moreno durante coletiva de apresentação dos resultados do Censo.

O Instituto destacou ainda que, de forma inédita, o país ultrapassou a marca de 10 milhões de alunos no ensino superior. São 10,22 milhões de matrículas.

Redução das matrículas para o EAD

Apesar de o ensino a distância já dominar as graduações, o avanço do crescimento da modalidade tende a diminuir nos próximos anos. Entre 2023 e 2024, as matrículas nesses cursos cresceram 5,6%. Já entre 2022 e 2023, elas cresceram 13,4%, mostrando que houve desaceleração. 

Além da estabilidade natural pós-pandemia, a desaceleração acontece após o Ministério da Educação anunciar uma leva de medidas para o EAD na tentativa de melhorar a qualidade e a regulação desses cursos.

O crescimento dos cursos a distância favoreceu sobretudo os grandes grupos educacionais. Conforme os dados do Censo, quatro estados concentram 88% das instituições que oferecem EAD: Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Rio de Janeiro.

Novas regras para o ensino a distância

Em maio último, o presidente Lula (PT) assinou um decreto no qual limita a oferta do ensino online em cursos da área da saúde e licenciatura, que tiveram o maior aumento de matrícula nos últimos anos. O MEC defende que as mudanças procuram garantir melhor qualidade na formação de profissões que exigem aprendizado prático, como enfermeiros e professores.

Com o decreto, uma nova modalidade de cursos, os semipresenciais, foi criada. Além disso, ele elenca cursos vetados para o EAD e também revisa limites de atividades remotas nos cursos presenciais.

Também foi vetado o oferecimento de cursos a distância em medicina, direito, odontologia, enfermagem e psicologia. Demais graduações de saúde e licenciatura só poderão ser ofertadas nos formatos presencial ou semipresencial. 

O presidente do Inep, Manuel Palácios, afirmou que a forte expansão das matrículas em cursos EAD auxiliou o país a continuar ampliando o acesso ao ensino superior. “Não se trata de atribuir qualquer tipo de malefício à modalidade em si”, declarou em coletiva. “Penso que o próprio sistema já estava aguardando que novas normas iriam atingi-lo”, disse.

Novas regras preocupam donos de faculdades particulares

As novas regras preocupam os donos de faculdades particulares (principais responsáveis pela oferta do EAD), que temem perder novos alunos nos próximos anos. A Abmes (Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior) disse nesta segunda que a modalidade “pode ter atingido o seu pico de expansão”. 

“Desde 2022, a modalidade não registra aumento expressivo no número de ingressantes e convive com índices de evasão elevados ano após ano”, diz comunicado da associação.

Rodrigo Capelato, diretor do Semesp (Sindicato das Entidades Mantenedoras de Ensino Superior), avalia que a modalidade deve sofrer uma estabilização nos próximos anos. Segundo ele, esse é um movimento natural de saturação do mercado.

“Quem procura o EAD, em geral, é um público mais velho, com mais de 30 anos, que não teve a chance de estudar assim que terminou a escola. Essas pessoas já trabalham, têm filhos e, por isso, precisam de cursos com maior liberdade de tempo para estudar. Havia uma demanda reprimida desse grupo, que agora foi atendida e houve uma saturação”, afirma.

Ambas as entidades avaliam que, apesar de as novas regras do MEC encarecerem a oferta dos cursos por conta da modalidade semipresencial, pode haver um novo fôlego de crescimento. “Nesse cenário, o modelo semipresencial surge como alternativa estratégica para reaquecer a entrada de novos estudantes e diversificar a oferta”, diz a Abmes.

O EAD no Brasil

A graduação a distância surgiu no país nos anos 2000, mas a expansão dessa modalidade explodiu a partir de 2018. Um decreto do governo Michel Temer (MDB), que flexibilizou a abertura de polos de educação a distância, foi uma das principais mudanças que permitiram esse aumento. 

O decreto atendeu a um pedido dos donos de faculdades particulares e deu autonomia às instituições de ensino para a criação de novos polos, eliminando a exigência de uma visita e análise do MEC para a abertura. 

No ano seguinte, aconteceu a maior expansão de novos cursos EAD. Eles passaram de 3.177, em 2018, para 4.529, em 2019, um aumento de 43%. Até 2024, o crescimento foi de 256%, chegando a oferta de 11.297 cursos a distância no Brasil. 

269
Compartilhe

Assuntos

Notícias relacionadas

NOTICIAS URBNEWS - EDITORIA MASTER-1 (1)
Educação
Colégio Master promove a Fantástica Fábrica de Diversão com programação especial de férias para crianças
NOTICIAS URBNEWS - EDITORIA MASTER-8 (2)
Educação
Prazo de inscrição do Enem 2026 é ampliado até 12 de junho
IMG_7107 (1)
Piauí
Governo do Piauí já entregou 200 escolas com infraestrutura completa
NOTICIAS URBNEWS - EDITORIA MASTER-1 (1)
Educação
Colégio Master promove a Fantástica Fábrica de Diversão com programação especial de férias para crianças
NOTICIAS URBNEWS - EDITORIA MASTER-8 (2)
Educação
Prazo de inscrição do Enem 2026 é ampliado até 12 de junho
IMG_7107 (1)
Piauí
Governo do Piauí já entregou 200 escolas com infraestrutura completa
NOTICIAS URBNEWS - EDITORIA MASTER-1
Educação
Enem 2026: inscrições seguem abertas até 5 de junho

Inscreva-se em nossa Newsletter!

A forma mais rápida de manter-se atualizado.
Receba as notícias mais recentes, de segunda a sexta-feira, diretamente na sua caixa de e-mail.