A deputada federal e ex-prefeita de Fortaleza Luizianne Lins (PT-CE) é uma das tripulantes da Flotilha interceptada por Israel na noite desta quarta-feira (1º). A parlamentar seguia rumo a Gaza, em uma expedição que leva ajuda humanitária. A ação ocorreu em águas internacionais.
A tripulação foi parada por militares israelenses em uma operação com outros veículos marítimos Global Summud Flotilla (GSF), que afirmou em um comunicado que “vários navios da Flotilha Global Sumud — principalmente Alma, Surius, Adara — foram interceptados ilegalmente e abordados pelas Forças de Ocupação Israelenses em águas internacionais”.
Em comunicado publicado nas redes sociais, Luizianne confirma o sequestro e pede o fim do genocídio em Gaza. “Fui sequestrada pelas forças internacionais israelenses e fui levada contra a minha vontade”, diz a parlamentar, que pede ao Itamaraty o fim das relações econômicas com Israel e ajuda para retornar ao Brasil.
Além dos barcos interceptados, a cobertura da transmissão ao vivo e a comunicação com vários barcos foram perdidas. “Estamos trabalhando arduamente para contabilizar todos os participantes e tripulantes”, disse a GSF em nota.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel, Gideon Sa’ar, confirmou a informação de que vários navios haviam sido “parados por segurança”.
Greta Thunberg e neto de Mandela também foram detidos
Além de Luizianne, a ativista Greta Thunberg e o neto de Nelson Mandela, Mandla Mandela, também estavam na embarcação e foram detidos junto aos outros tripulantes. Greta foi identificada pelas características faciais e pelo chapéu que usou em postagens nas redes sociais.
A ativista esteve presente em outras tentativas da GSF de romper com o bloqueio em Gaza.
Características das águas internacionais
A ação orquestrada por Israel é ilegal. De acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, aprovada em 1982, o alto mar não deve ser regido por nenhum governo.
São consideradas águas internacionais aquelas que não são território soberano de nenhum país. As embarcações que navegam nessas águas devem arvorar uma bandeira e somente as leis desse país regem o navio. Logo, ações de interceptação são configuradas como ilegais pois nenhum país pode reivindicar soberania nesse espaço.
Missão humanitária
Em 23 de setembro, Luizianne publicou um vídeo nas redes sociais relatando tensão durante ataques de drones às embarcações da Global Summud Flotilla.
No Instagram, a deputada contou que a embarcação já se encontrava em águas internacionais do Mediterrâneo e que foram ouvidas sete explosões naqueles arredores, mas sem registro de feridos entre os tripulantes.
Luizianne descreveu o ataque como sabotagem e solicitou apoio de quem pudesse intervir junto ao governo de Israel para que não impedisse que a ajuda humanitária chegasse ao seu destino.




