Play Video
Economia

CNPE aprova exploração de petróleo em águas distantes e amplia pré-sal

Pelas leis internacionais, um país tem direito sobre a área oceânica dentro da chamada Zona Econômica Exclusiva (ZEE), que é restrita a este perímetro náutico
Por UrbNews
Atualizado há 7 meses
Tempo de leitura: 7 mins
Compartilhe a notícia:
O CNPE também aprovou o adiantamento do leilão dos campos de petróleo de Mero, Atapu e Tupi pela estatal PPSA (Pré-Sal Petróleo). Foto: André Ribeiro/Agência Petrobras

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou, nesta quarta-feira (1º), diretrizes para exploração de petróleo e gás em águas marítimas distantes, além das 200 milhas náuticas (370 km), o que na prática amplia a área do pré-sal que pode ser usufruída pelo Brasil.

Na reunião, que contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin, o conselho também aprovou um novo leilão de petróleo que pode gerar mais quase R$ 15 bilhões em arrecadação para a União ainda em 2025, e determinou que sejam feitos novos estudos técnicos para tentar aprovar as obras finais da Usina Nuclear de Angra 3.

Tradicionalmente pelas leis internacionais, um país tem direito sobre a área oceânica dentro da chamada Zona Econômica Exclusiva (ZEE), que é restrita a este perímetro náutico. Nos últimos anos, o Itamaraty e a Marinha vêm pleiteando na ONU (Organização das Nações Unidas) a expansão desta área, e já conseguiram decisões favoráveis do organismo internacional.

Em março deste ano, por exemplo, foi reconhecida pelas Nações Unidas a permissão para exploração de uma área além da Zona Exclusiva na região da Margem Equatorial, no Norte, onde ficam os poços de Foz do Amazonas. Na decisão desta quarta, o CNPE aprovou as diretrizes para exploração de petróleo e gás nesses territórios de águas distantes.

Segundo o Ministério de Minas e Energia, há a previsão de que o bloco Mogno, que compõe o pré-sal, já seja ofertado no próximo leilão da ANP (Agência Nacional de Petróleo e Gás), o que na prática amplia a área útil da bacia. Este bloco chegou a ser incluído em pregões neste ano, mas depois foi excluído, justamente pela falta de regulamentação para exploração do oceano além das 200 milhas náuticas.

Só na Margem Equatorial, por exemplo, a área de águas distantes equivale a 360 mil km² na região entre o Amapá e o Rio Grande do Norte, ou o equivalente ao país da Alemanha. A expansão da área de exploração petroleira acontece às vésperas da COP30, a conferência sobre clima da ONU, que acontecerá em Belém, no Pará.

Apesar de defender o discurso sobre transição energética e sustentabilidade, o governo Lula (PT), como mostrou a Folha, aposta no petróleo como uma das formas de conseguir ampliar sua arrecadação, com estimativa de adicionar R$ 36 bilhões aos cofres públicos até 2026, quando termina o atual mandato.

Mais r$ 14,8 bilhões em recursos do petróleo

O CNPE também aprovou o adiantamento do leilão dos campos de petróleo de Mero, Atapu e Tupi pela estatal PPSA (Pré-Sal Petróleo), que pode gerar R$ 14,8 bilhões para a União ainda neste ano, segundo a estimativa do Ministério de Minas e Energia.

A decisão é mais uma que busca utilizar os recursos do petróleo para aliviar as contas do governo Lula, em um contexto de pressão por cumprimento da meta fiscal e ampliação da arrecadação.

Segundo as estimativas do Executivo, em anos futuros ainda é possível arrecadar mais R$ 6 bilhões, caso a exploração na região dê os resultados esperados.

Também foi aprovado o leilão para as bacias de Calcita, Dolomita e Azurita, mas este pregão ainda precisa passar pelo crivo dos ministérios de Minas e Energia e de Meio Ambiente, por meio de manifestação conjunta, o que não tem data para acontecer.

Em outra decisão, o CNPE referendou as diretrizes para prorrogação de contratos de partilha de petróleo e gás por mais 27 anos, exigindo a comprovação de viabilidade técnica e econômica deste alongamento na exploração dos combustíveis fósseis.

Além disso, o conselho também determinou que as embarcações de apoio marítimo à atividade petroleira devem atender a, pelo menos, 60% de conteúdo local —termo usado para a proporção de, por exemplo, materiais, serviços e mão de obra nacionais em determinada operação. A medida regulamenta as formas de mensuração e fiscalização desta determinação.

Além dos 60%, as embarcações também vão precisar utilizar pelo menos 50% de conteúdo local em ao menos duas de três áreas de investimento: engenharia; máquinas, equipamentos e materiais; e construção e montagem.

Há uma exceção para navios considerados como inovadores, o que inclui, por exemplo, aqueles movidos por combustíveis sustentáveis.

Angra 3

O conselho também determinou que a Eletronuclear e o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) devem atualizar os estudos de viabilidade econômica para a conclusão das obras da usina nuclear de Angra 3.

A medida é necessária desde acordo da Eletrobras com a União para deixar de fazer parte do empreendimento. O custo estimado é de R$ 21 bilhões.

Segundo o ministro Alexandre Silveira, a expectativa é que estes estudos sejam terminados ainda em outubro, para que a aprovação para realização da obra seja dada pelo CNPE ainda neste ano. “[Reiterei] a necessidade da urgência para que seja feito”, disse ele sobre a reunião.

Nos estudos, serão analisados quatro cenários, e seus respectivos impactos econômicos: o abandono do empreendimento; o prosseguimento apenas pela União; a parceria com a Eletrobras (que pelo acordo, ainda mantém algumas obrigações com a usina; e a possibilidade de um acordo com um novo ente privado. É com base nestes cenários que o governo deve decidir o que fazer com o futuro de Angra.

Renovabio e Mover

Também nesta quarta, o CNPE regulamentou os parâmetros do Mover, programa do governo federal para reduzir as emissões de CO2 do setor de transportes. A decisão do conselho determina quais formas de mensuração dos gases de efeito estufa serão utilizadas para acompanhamento das metas de descarbonização previstas pela Lei do Combustível do Futuro.

A medição vai considerar as emissões do chamado ciclo “poço-a-roda”, que considera as emissões da cadeia de produção do setor de transportes desde a exploração dos combustíveis fósseis até a atividade dos automóveis.

A resolução também faz com que o Mover acompanhe os parâmetros de uso de combustíveis limpos previstos pelo programa Renovabio.

Outras decisões

O CNPE criou, nesta quarta, o Programa Nacional de Energia Geotérmica (Progeo), que visa incentivar o setor.

Energia geotérmica é aquela que aproveita o calor da terra para gerar eletricidade. O programa dá diretrizes para a elaboração de marcos legais para esta área, além de permitir o uso de recursos da ANP e da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) para projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação.

O conselho também aprovou a ampliação da produção de energia da Usina Hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira (RO), o que pode gerar um geração extra de 236,5 megawatts.

A resolução permite a elevação do reservatório a 90 metros, e determina que um terço deste adicional seja repassado para a Bolívia, e os outros dois terços serão revertidos para Brasil, injetados no Sistema Interligado Nacional (SIN) —há previsão de comercialização disso no mercado livre.

Também foi criado um grupo de trabalho para regulamentar a exploração de energia eólica offshore no Brasil.

Com informações de João Gabriel, da Folhapress

487
Compartilhe

Assuntos

Notícias relacionadas

20251003 ITABORAI SITE
Brasil
Petrobras abre licitação para plataforma que vai ampliar oferta de gás do pré-sal
Técnicos do Ibama recomendam a rejeição da licença para pesquisa da Petrobras na Foz do Amazonas
Amazonas
Técnicos do Ibama recomendam a rejeição da licença para pesquisa da Petrobras na Foz do Amazonas
petrobras-petr4-inicia-reforma-em-seu-edificio-sede
Economia
Petrobras busca apoio de investidores para explorar petróleo na margem equatorial
20251003 ITABORAI SITE
Brasil
Petrobras abre licitação para plataforma que vai ampliar oferta de gás do pré-sal
Técnicos do Ibama recomendam a rejeição da licença para pesquisa da Petrobras na Foz do Amazonas
Amazonas
Técnicos do Ibama recomendam a rejeição da licença para pesquisa da Petrobras na Foz do Amazonas
petrobras-petr4-inicia-reforma-em-seu-edificio-sede
Economia
Petrobras busca apoio de investidores para explorar petróleo na margem equatorial

Inscreva-se em nossa Newsletter!

A forma mais rápida de manter-se atualizado.
Receba as notícias mais recentes, de segunda a sexta-feira, diretamente na sua caixa de e-mail.