O primeiro dos 15 brasileiros detidos por Israel enquanto integravam a flotilha Global Sumud, que seguia rumo à Faixa de Gaza com ajuda humanitária, foi deportado. A informação foi confirmada por nota oficial pela instituição neste sábado (4).
Trata-se de Nicolas Calabrese, educador popular do Rio de Janeiro e militante do PSOL. Com cidadanias argentina e italiana, Calabrese foi enviado à Turquia com apoio do consulado italiano, que também custeou a passagem. Ainda não há confirmação sobre seu retorno ao Brasil.
Segundo a Adalah, organização que presta assistência jurídica aos detidos, o governo israelense não forneceu nenhuma informação sobre os demais brasileiros presos.
“A ausência de transparência sobre os processos de deportação é temerosa e uma estratégia do governo israelense para dificultar ao máximo os trabalhos da organização e dos advogados que se esforçam para acompanhar os ativistas presos ilegalmente”, afirmou a delegação brasileira da Global Sumud.
De acordo com o grupo, os ativistas relataram diversas violações legais desde a interceptação das embarcações em águas internacionais. Entre os dias 2 e 3 de outubro, mais de 200 audiências judiciais foram realizadas sem aviso prévio e sem a presença de advogados, conforme denúncia da Adalah. Cerca de 80 ativistas foram submetidos a audiências consideradas irregulares.
Na penitenciária de Ktziot, no deserto de Neguev, onde ainda permanecem centenas de ativistas, advogados relataram casos de maus-tratos, agressões físicas, privação de alimentos, retenção de medicamentos e fornecimento de água imprópria para consumo. Há também denúncias de isolamento e falta de assistência consular adequada.
Quatro integrantes brasileiros da flotilha, entre eles Thiago Ávila, de Brasília, informaram à embaixada brasileira e aos advogados que iniciaram uma greve de fome como forma de protesto. Os ativistas denunciam tanto a própria detenção quanto o bloqueio humanitário imposto por Israel à Faixa de Gaza.
Segundo a equipe jurídica, a greve de fome também tem caráter político: “Privados de voz, os ativistas recorrem ao próprio corpo como instrumento de resistência, em solidariedade ao povo palestino que sofre com a fome imposta por Israel como arma de guerra.”
Pelo menos 137 ativistas internacionais já foram deportados após a interceptação da flotilha. A operação, considerada ilegal por diversas organizações de direitos humanos, resultou na prisão de centenas de pessoas, incluindo 14 brasileiros que ainda permanecem detidos em Neguev.
Esses ativistas foram embarcados em um avião organizado pela Embaixada da Turquia em Tel Aviv. A lista inclui cidadãos de países como Turquia, Itália, EUA, Reino Unido, Argélia, Tunísia, Marrocos, Líbia, Jordânia, Kuwait, Suíça, Bahrein e Malásia. No entanto, segundo a Adalah, o governo israelense segue sem fornecer notificações oficiais sobre os processos de deportação, dificultando o trabalho da defesa.
A Global Sumud Flotilla tentava romper o bloqueio imposto por Israel à Faixa de Gaza, utilizando embarcações que partiram de portos do Mar Mediterrâneo. Entre os integrantes da missão estavam a ativista climática Greta Thunberg e a deputada federal Luizianne Lins (PT-CE).
Brasileiros na flotilha
Segundo a Global Sumud, os brasileiros que estavam a bordo dos barcos da flotilha são:
- Thiago Ávila, ativista e integrante do Comitê Diretor da Global Sumud Flotilha, no barco Alma;
- Luizianne Lins, deputada federal pelo PT, no barco Grand Blue;
- Bruno Gilga, trabalhador da USP e correspondente do Esquerda Diário, no barco Sirius;
- Lisiane Proença, viajante, comunicadora popular e atuante em causas socioambientais, no barco Sirius;
- Magno Costa, integrante da Executiva nacional da CSP Conlutas e diretor do sindicato dos trabalhadores da USP, no barco Sirius;
- Mariana Conti, vereadora do Psol em Campinas, no barco Sirius;
- Nicolas Calabrese, professor de educação física e coordenador da Rede Emancipa, no barco Sirius;
- Gabriele Tolotti, presidente do Psol-RS, no barco The Spectre;
- Mohamad El Kadri, presidente do Fórum Latino Palestino e coordenador da Frente Palestina São Paulo, no barco The Spectre;
- Ariadne Telles, advogada popular, no barco Adara;
- Mansur Peixoto, criador e administrador do projeto História Islâmica, no barco Adara;
- Lucas Gusmão, ativista e internacionalista, no barco Yulara;
- João Aguiar, ativista do movimento global para Gaza e Núcleo Palestina do PT-SP, no veleiro Mikeno;
- Miguel de Castro, ativista e cineasta, no barco Catalina;
- Hassan Massoud, jornalista correspondente da Al Jazeera.




