Após a derrota imposta pela Câmara dos Deputados ao governo Lula (PT) sobre a Medida Provisória (MP) 1303/2025, que aumentava os tributos e alavancava a arrecadação, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que iniciou uma “reorganização” da base aliada no Congresso Nacional. Isso gira em torno do corte de cargos federais e regionais de partidos do Centrão.
O presidente Lula deu o aval para a ministra seguir com as exonerações. Em entrevistas concedidas recentemente, Gleisi defendeu que não faz sentido que aliados de deputados que votaram contra propostas do governo continuem em seus cargos como indicações. “Quem quer ficar no governo, tem que votar com o governo”, escreveu ela em uma publicação nas redes sociais. Gleisi ainda reforçou que a medida não seria uma retaliação.
A MP em questão estava sob análise da Câmara, que deixou a medida perder a validade sem votá-la em plenário. A retirada de pauta ocorreu por meio da aprovação de um requerimento que recebeu 251 votos favoráveis e 193 contrários. O texto precisava ser aprovado pela Câmara e pelo Senado até as 23h59 da última quarta-feira (8). A medida havia sido alterada algumas vezes como alternativa ao aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e era considerada essencial para a gestão equilibrar as contas públicas no próximo ano.
“Meter a faca”
Anteriormente, o líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), afirmou que Gleisi iria “meter a faca” em cargos do Centrão. A declaração foi feita ao podcast “As Cunhãs” e, na ocasião, Guimarães disse que os partidos de oposição se organizaram em uma operação, se referindo ao requerimento, para não votar a MP.
Além disso, em meio à pressão da Federação União Progressista para que seus filiados que ocupam cargos em ministérios do governo Lula deixassem os postos, o então ministro do Turismo, Celso Sabino, criticou deputados que integram a base governista, mas votam contra o governo. “Não dá para ser casado e ter vida de solteiro”, afirmou.
Exonerados
Na última sexta-feira (10), a Caixa Econômica Federal destituiu Paulo Rodrigo de Lemos Lopes, que ocupava a Vice-Presidência de Sustentabilidade e Cidadania Digital da instituição. Ele era ligado a lideranças do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro. Também foi demitido José Trabulo Júnior, consultor da presidência do banco, ligado ao presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI).
Segundo informações de interlocutores, o presidente da Caixa, Carlos Antonio Vieira Fernandes, deve permanecer no cargo indicado pelo ex-presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), que se ausentou da votação da MP.
Segundo informações da CBN, outra atingida foi Carmen Lúcia Bairros dos Santos, que atuava como coordenadora estadual do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) no Rio Grande do Norte. Ela havia sido indicada pelo deputado João Maia (Progressistas), que votou a favor do arquivamento da MP. Já no Dnocs em Sergipe, Marcos Vander Costa da Cunha, que era coordenador estadual do departamento e aliado do deputado Gustinho Ribeiro (Republicanos), foi exonerado. Ribeiro votou pelo arquivamento da MP na Câmara.
No Ceará, a medida do governo chegou nesta terça-feira (14), após exonerar Alex Renan de Sousa Galvão, que ocupava o cargo de diretor de Desenvolvimento Tecnológico e Produção do Dnocs. Alex Renan é aliado do deputado cearense Moses Rodrigues (União).
Além desses nomes, também foram exonerados funcionários da Superintendência de Agricultura do Estado do Maranhão, da Superintendência de Agricultura do Estado do Paraná, da Superintendência de Agricultura do Estado do Pará, da Superintendência de Agricultura do Estado de Minas Gerais, do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) de Roraima e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).




