Após a megaoperação policial que deixou mais de 120 mortos nos complexos do Alemão e da Penha, na última terça-feira (28), alguns artistas, como Ludmilla, Jojo Todynho, Rachel Sheherazade e Oruam, se manifestaram a respeito da operação mais letal da história do Rio de Janeiro.
Ludmilla, uma das maiores cantoras do Rio, foi uma das primeiras a se pronunciar e pediu a todos que se resguardassem em casa.
“Galera do Rio de Janeiro! Se protejam, fiquem em lugar seguro. Não é momento de sair de casa. Se você por algum motivo teve ou tem que sair por causa do trabalho, tenha cautela e se mantenha informado através dos canais oficiais. Se cuidem”, escreveu a cantora em suas redes sociais.
Jojo Todynho, outra artista brasileira, abordou o tema de forma mais política, defendendo a ação e responsabilizando o PT a respeito da violência vivenciada diariamente no estado.
“Nossos policiais merecem respeito. Estamos à mercê da violência; tenho o maior prazer em proclamar, em alto e bom som, que eu nunca fui petista. É uma vergonha a sociedade brasileira normalizar o caos em que vivemos diariamente”, pontuou
Já Rachel Sheherazade, jornalista e ex-fazenda, se posicionou contra a operação que matou mais de 120 pessoas. “Eu não tô entendendo por que algumas pessoas estão comemorando essa desastrosa operação policial no Rio de Janeiro que terminou com a morte de 64 pessoas. A polícia entrou nos complexos do Alemão e da Penha para cumprir 100 mandados de prisão, não para cometer 60 execuções”, disse.
A jornalista ainda reforçou que os “traficantes” mortos na operação são “peixes pequenos” e que os verdadeiros criminosos “apertam as mãos de gente graúda de Brasília”.
“Os maiores e mais poderosos criminosos, as pessoas que realmente lucram com o tráfico, não moram em favelas. Elas andam de jatinho, elas vivem em condomínios fechados de mansões, elas frequentam os melhores restaurantes e apertam as mãos de gente graúda de Brasília. Porque a favela, a favela não produz a droga. A favela é só um entreposto”, pontuou Rachel.
O rapper Oruam, Filho de Marcinho VP, um dos maiores líderes de facção criminosa do país, também comentou sobre o caso. “Nunca vou achar normal”.
“O crime é o reflexo da sociedade o dia que eu ver a favela chorar e não vir aqui falar desse sistema sujo não vou estar sendo eu, minha alma sangra, tirar o fuzil existe o ser humano, eu nunca vou achar normal a polícia entrar em uma favela e matar 70 pessoas quando oque sempre faltou foi oportunidades, favela tem família, favela não é parque de diversão da burguesia, favela é campo de concentração?”, declarou Oruam.
Outra artista a falar sobre o caso foi a cantora Duda Beat, que reforçou o alerta da prefeitura.
“Como sabem, está acontecendo uma mega-operação na cidade e diversas vias estão sendo fechadas. A prefeitura já comunicou estágio 2 de alerta. Procurem se abrigar em local seguro e acompanhar as comunicações oficiais por via dos canais da prefeitura e Centro de Operações do Rio”, reforçou.
Operação Contenção
A megaoperação policial no Rio de Janeiro, chamada Operação Contenção, aconteceu na última terça-feira (28) e tinha como objetivo prender os líderes da facção criminosa que atuavam nos Complexos do Alemão e da Penha.
A operação foi uma iniciativa do Governo do Estado do Rio de Janeiro voltada a conter os avanços dessas organizações no estado.
Segundo o último balanço, foram presas 113 pessoas durante a megaoperação, no entanto houve mais de 120 mortes, entre elas quatro policiais.
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), defendeu que a Operação Contenção foi um sucesso, durante entrevista no Palácio Guanabara, sede do Executivo estadual, nesta quarta-feira (29).
“Temos muita tranquilidade de defender o que foi feito ontem. Queria me solidarizar com as famílias dos quatro guerreiros que deram a vida para libertar a população. Eles foram as verdadeiras quatro vítimas. De vítima ontem, só tivemos os policiais”, disse Cláudio Castro.
Na noite desta quarta-feira (29), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) falou pela primeira vez sobre a operação considerada a mais letal da história do Rio de Janeiro.
“Não podemos aceitar que o crime organizado continue destruindo famílias, oprimindo moradores e espalhando drogas e violência pelas cidades. Precisamos de um trabalho coordenado que atinja a espinha dorsal do tráfico sem colocar policiais, crianças e famílias inocentes em risco”, escreveu Lula em suas redes sociais.




