Play Video
Entretenimento

Cantor Jimmy Cliff, lenda do reggae, morre aos 81 anos na Jamaica

Artista faleceu após sofrer convulsão decorrente de pneumonia. Músico jamaicano considerava o Brasil como segundo lar e deixa sucessos como “Many Rivers to Cross”
Por UrbNews
Atualizado há 6 meses
Tempo de leitura: 4 mins
Compartilhe a notícia:
O artista vivia em Kingston, na Jamaica. Foto: Divulgação

O cantor e compositor jamaicano Jimmy Cliff faleceu aos 81 anos após sofrer uma convulsão decorrente de pneumonia. A morte ocorreu nesta segunda-feira (24) e foi confirmada pela família do artista em comunicado oficial. O músico, considerado um dos maiores nomes da história do reggae mundial, deixa sucessos como “The Harder They Come” e “Many Rivers to Cross”.

“É com profunda tristeza que compartilho que meu marido, Jimmy Cliff, partiu após uma convulsão seguida de pneumonia”, declarou Latifa, esposa do músico, na nota divulgada. O artista vivia em Kingston, na Jamaica, e mantinha-se ativo em projetos musicais até o recente agravamento de seu estado de saúde.

Latifa expressou gratidão pelo apoio recebido durante a trajetória do músico. “Agradeço à família, amigos, artistas e colegas que dividiram essa jornada com ele. Aos fãs ao redor do mundo, saibam que o apoio de vocês foi sua força durante toda a carreira. Ele valorizava profundamente o amor de cada um”, afirmou.

A esposa também agradeceu à equipe médica. “Quero agradecer ao Dr. Couceyro e a toda a equipe médica, que foram extremamente solidários e prestativos durante este processo difícil. Jimmy, meu querido, descanse em paz. Cuidarei de cumprir todos os seus desejos. Peço que respeitem nossa privacidade neste momento”, escreveu.

O comunicado, assinado por Latifa, Lilty e Aken, informa que detalhes sobre as homenagens serão divulgados posteriormente. A mensagem termina com a frase “See you and we see you, Legend”, referência ao legado do músico jamaicano.

Brasil: a segunda casa de Jimmy Cliff

A relação de Jimmy Cliff com o Brasil iniciou em 1968, quando ele veio ao Rio de Janeiro para participar do Festival Internacional da Canção, no Maracanãzinho, com a música “Waterfall”. Esta primeira visita estabeleceu uma conexão que duraria décadas.

Durante esta estadia inicial, Cliff começou a compor “Wonderful world, beautiful people”, uma de suas canções mais conhecidas. No mesmo período, gravou o álbum “Jimmy Cliff in Brasil”, com o encarte mostrando o artista na Praia de Botafogo e incluindo versões em inglês de canções brasileiras como “Andança” e “Vesti azul”.

A presença do jamaicano no Brasil tornou-se tão frequente nos anos 1980 que virou motivo de brincadeiras entre fãs cariocas. Muitos diziam que bastava caminhar pela Zona Sul do Rio para encontrá-lo.

Em 1984, o músico reforçou sua ligação com o Rio ao gravar nas praias da cidade o videoclipe da música “We all are one”, dirigido por Tizuka Yamasaki. Além do Rio, a Bahia também ocupou lugar especial na vida do artista.

Foi em Salvador, em 1992, que nasceu Nabiyah Be, filha de Cliff com a psicóloga Sônia Gomes da Silva. Posteriormente, Nabiyah seguiu os passos artísticos do pai ao estrear no cinema em “Pantera Negra”, produção da Marvel. Na Bahia, o músico também estudou a história da diáspora africana no Brasil.

“Ter visto isso e ter feito parte disso é sensacional”, disse o músico sobre sua relação com a africanidade da Bahia e a cultura afro-brasileira. Nem todos os momentos de Cliff no Brasil foram felizes. Em 1980, momentos antes de subir ao palco com Gilberto Gil, o cantor recebeu a notícia da morte de seu pai.

Mesmo abalado pela perda, Cliff decidiu prosseguir com o show. “Veio uma energia muito forte aquela noite. Consegui me ouvir cantando com uma força que nunca tinha sentido”, afirmou sobre a experiência de se apresentar em meio ao luto.

Em 1972, Jimmy Cliff protagonizou “The harder they come” (lançado no Brasil como “Balada sangrenta”), filme que abriu portas internacionais para o reggae e para a cultura rastafári. Décadas depois, o artista interpretou a versão brasileira “Querem meu sangue” com os Titãs no “Acústico MTV”.

O último trabalho de Jimmy Cliff foi o single “Human touch”, marcado por um retorno ao reggae dos anos 1960 e por reflexões sobre a solidão durante a pandemia. O cantor jamaicano considerava o Brasil como um segundo lar, apreciando suas paisagens, conexões históricas e as pessoas. Em diversas ocasiões, expressou saudades do Rio de Janeiro e da “africanidade da Bahia”.

681
Compartilhe

Assuntos

Notícias relacionadas

Morre Udo Kier, ator de
Entretenimento
Morre Udo Kier, ator de "Bacurau" e "O Agente Secreto"
Morre o empresário Roberto Macêdo, ex-presidente da Fiec, ao 81 anos
Economia
Morre o empresário Roberto Macêdo, ex-presidente da Fiec, aos 81 anos
Morre Dick Cheney, ex-vice-presidente de Bush e 'arquiteto da guerra ao terror', aos 84 anos
Mundo
Morre Dick Cheney, ex-vice-presidente de Bush e 'arquiteto da guerra ao terror', aos 84 anos
Morre Udo Kier, ator de
Entretenimento
Morre Udo Kier, ator de "Bacurau" e "O Agente Secreto"
Morre o empresário Roberto Macêdo, ex-presidente da Fiec, ao 81 anos
Economia
Morre o empresário Roberto Macêdo, ex-presidente da Fiec, aos 81 anos
Morre Dick Cheney, ex-vice-presidente de Bush e 'arquiteto da guerra ao terror', aos 84 anos
Mundo
Morre Dick Cheney, ex-vice-presidente de Bush e 'arquiteto da guerra ao terror', aos 84 anos
Morre Lô Borges, compositor que inovou na MPB e músico do grupo Clube da Esquina
Entretenimento
Morre Lô Borges, compositor que inovou na MPB e músico do grupo Clube da Esquina

Inscreva-se em nossa Newsletter!

A forma mais rápida de manter-se atualizado.
Receba as notícias mais recentes, de segunda a sexta-feira, diretamente na sua caixa de e-mail.