Uma lista elaborada pelo Observatório IA nas Eleições mostrou que personagens da política brasileira como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ministro Alexandre de Moraes são os principais alvos de conteúdo gerado por inteligência artificial (IA). O levantamento foi feito por uma parceria da Data Privacy Brasil com o laboratório de pesquisas Aláfia e os dados foram obtidos exclusivamente pelo GLOBO.
A pesquisa divulgada pelo jornal mostrou que entre os alvos centrais de casos, foram identificados Lula (30), Bolsonaro (26), Alexandre de Moraes e o presidente dos Estados Unidos Donald Trump somaram o mesmo número de casos registrados (15). A lista também trouxe o nome de Nikolas Ferreira (6) e Fux (5), além de outros integrantes do Supremo, que juntos foram vítimas de ao menos quatro casos.
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) apareceu tanto como personagem (8) quanto como replicador de conteúdos manipulados por IA (3). A pesquisa também indicou figuras públicas que publicaram o conteúdo, como os bolsonaristas Gustavo Gayer (2) e Mario Frias (1). Além desses, Guilherme Boulos (1) e Rogério Correia (1).
Do total de casos de publicação de conteúdos feitos por IA, 25 deles foram publicados por partidos, dos quais 20 foram postados pelo PT. De acordo com O GLOBO, a estratégia de publicar conteúdos de IA passou a ser usada pela sigla para mobilizar perfis de apoiadores após a derrubada do decreto que aumentava o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
Nesta época, conteúdos criados por IA criticando o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), começaram a ser veiculados. O recurso foi adotado também nos momentos da crise após a imposição do tarifaço americano, a decretação do uso de tornozeleira eletrônica por Bolsonaro e o julgamento da trama golpista. Apesar disso, o PT não foi o único a divulgar esse tipo de material, depois do partido, aparece o PL (3), Cidadania (2), PSOL (1) E PCdoB (1).
O levantamento mostra que os recursos são mais usados em episódios importantes para a política. Após a prisão de Bolsonaro, foram identificados, na última semana, dez casos de uso de IA para simulações que vão desde manifestações a favor de Bolsonaro na Avenida Paulista a discursos do ministro Luiz Fux, do STF, decretando a soltura do ex-presidente.
Os conteúdos são considerados deepfakes, já que foram criados a partir da manipulação de imagens, vídeos ou áudios, e correspondem a 60% do total de 285 casos de IA, contabilizados entre janeiro e novembro de 2025. A pesquisa também informa que 54% das publicações foram feitas para críticas ou ataques políticos e 42,5% para endossar pautas e candidatos.
Uma porcentagem de aplicação de golpes também foi adicionada, correspondendo a 3,5% das publicações. Na última semana, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) denunciou um caso onde relatou que sua voz foi manipulada para a divulgação de uma vaquinha virtual. De acordo com os dados, 58% das ocorrências eram de alegações ou cenas falsas usadas para enganar usuários, já 28% circulavam apenas em contexto de sátira ou humor.




