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Saúde e Beleza

Canetas emagrecedoras: Brasil avança na regulação e Fiocruz inicia produção nacional

Especialista alerta para benefícios e efeitos colaterais
Por Clara Sobreira
Atualizado há 2 meses
Tempo de leitura: 5 mins
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Entidades como a SBEM, a Sociedade Brasileira de Diabetes e a Abeso alertam que o uso indiscriminado expõe pacientes a riscos desnecessários e dificulta o acesso àqueles que realmente necessitam do tratamento. Foto: Reprodução/Freepik

O uso das chamadas canetas emagrecedoras, medicamentos agonistas do GLP-1 como semaglutida, liraglutida e tirzepatida, está passando por mudanças significativas no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu recentemente a manipulação da semaglutida, substância presente em medicamentos como Ozempic e Wegovy, alegando que o ingrediente farmacêutico ativo utilizado é biotecnológico e só pode ser importado do fabricante registrado no país. Com isso, versões manipuladas deixam de ser permitidas até que exista um registro específico que autorize o uso de IFAs sintéticos. 

A decisão foi apoiada pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, que considera a medida uma forma de proteger a população de produtos sem garantia de pureza e dosagem.

Enquanto a semaglutida manipulada foi proibida, a tirzepatida, utilizada no Mounjaro,  permanece liberada, embora entidades médicas defendam que os riscos são semelhantes e pedem que a Anvisa estenda a proibição.

Paralelamente às restrições, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) recomendou ao Ministério da Saúde que não incorpore as canetas emagrecedoras ao sistema público devido ao impacto financeiro, estimado em até R$ 8 bilhões ao ano. 

Mesmo assim, parcerias firmadas entre Fiocruz e a farmacêutica EMS vão permitir, pela primeira vez, a produção nacional de liraglutida e semaglutida, com transferência de tecnologia prevista para Farmanguinhos, no Rio de Janeiro. A expectativa é que a fabricação brasileira reduza preços e amplie o acesso no futuro.

O avanço do uso desses medicamentos também levou a Anvisa a intensificar o controle de prescrição. Desde junho, farmácias são obrigadas a reter a receita médica no ato da compra, medida que surgiu após aumento de eventos adversos associados ao uso sem indicação adequada. 

Entidades como a SBEM, a Sociedade Brasileira de Diabetes e a Abeso alertam que o uso indiscriminado expõe pacientes a riscos desnecessários e dificulta o acesso àqueles que realmente necessitam do tratamento.

Efeitos dos medicamentos

Para entender melhor os efeitos e cuidados necessários, a Urbnews ouviu o médico nutrólogo Dr. Erik Guanabara, pós-graduado pela USP e reconhecido na área de longevidade e nutrologia. Segundo ele, os benefícios das canetas envolvem melhora da saciedade, redução do apetite, impacto positivo na glicemia e na resistência à insulina, além de perda de peso. 

Ele cita ainda que estudos apontam redução do consumo de álcool entre usuários. Por outro lado, alerta para efeitos colaterais frequentes quando não há acompanhamento adequado: náuseas, vômitos, diarreia ou constipação. Para o especialista, esses sintomas estão diretamente relacionados à individualidade do paciente, ao tipo de alimentação e ao ajuste correto das doses.

O médico reforça que três pontos são fundamentais para um uso seguro: “ajuste de dosagem conforme cada paciente, alimentação com meta proteica diária para evitar perda de massa magra e prática regular de atividade física”. Ele lembra também que a Organização Mundial da Saúde passou a recomendar o uso prolongado dos GLP-1 no tratamento da obesidade, sempre associado a hábitos saudáveis. 

A OMS incluiu os medicamentos na lista de essenciais por seu impacto na redução de doenças crônicas, especialmente as cardiovasculares.

Com mudanças regulatórias em andamento, início da produção nacional e maior fiscalização, o cenário brasileiro para as canetas emagrecedoras entra em uma nova fase, marcada por debates sobre acesso, segurança e responsabilidade no uso. 

Para o Dr. Erik, o ponto central de uso seguro dos medicamentos permanece claro. “Esses medicamentos são ferramentas importantes, mas não funcionam sozinhos. Eles precisam fazer parte de um tratamento completo, com alimentação adequada, exercício e acompanhamento médico contínuo.”

A conexão com Framingham e a saúde do coração

O debate sobre obesidade, metabolismo e risco cardiovascular remete diretamente à cidade de Framingham, em Massachusetts (EUA), considerada a mais importante referência mundial em pesquisa cardiovascular. Desde 1948, o Framingham Heart Study acompanha gerações de moradores da cidade e foi responsável por estabelecer o conceito moderno de fatores de risco cardiovascular, como hipertensão, colesterol elevado, tabagismo, sedentarismo e obesidade.

Os dados de Framingham embasam diretrizes médicas em todo o mundo e ajudam a explicar por que a redução do peso corporal, quando feita de forma segura e acompanhada, pode impactar diretamente a prevenção de doenças cardíacas, hoje a principal causa de morte global.

Com restrições regulatórias, início da produção nacional e maior fiscalização, o cenário brasileiro das canetas emagrecedoras entra em uma nova fase, marcada por discussões sobre segurança, acesso e responsabilidade. 

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