O ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques, foi detido nesta sexta-feira (26) no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Assunção (Paraguai), após tentar deixar o país com documentos falsos. A prisão foi confirmada pelas autoridades paraguaias e brasileiras, que agora articulam a expulsão imediata de Silvinei para o Brasil.
Silvinei foi capturado enquanto tentava embarcar para El Salvador com um passaporte e documento de identidade paraguaios em nome de “Julio Eduardo”, cujas impressões digitais não correspondiam às dele, conforme verificado pela polícia local. Ele teria apresentado os documentos que foram emitidos em novembro de 2025, pouco antes da sua condenação definitiva.
A captura aconteceu após alertas de fronteira emitidos pela Polícia Federal (PF), que acompanharam a fuga do ex-dirigente desde que a tornozeleira eletrônica deixou de emitir sinais de GPS e dados na madrugada de 25 de dezembro, indicando possível descumprimento das medidas cautelares impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Após a confirmação da prisão, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, decretou a prisão preventiva de Silvinei Vasques, substituindo as medidas cautelares que haviam sido impostas anteriormente, como o uso da tornozeleira eletrônica, proibição de uso de redes sociais e recolhimento domiciliar noturno, em razão da fuga e do descumprimento das condições impostas pela Justiça.
Na decisão, Moraes apontou que a violação das medidas cautelares e a fuga caracterizam um risco à aplicação da lei penal, justificando a conversão automática em prisão preventiva.
Autoridades paraguaias confirmaram que Silvinei deve ser expulso do país ainda nesta sexta-feira, em um procedimento de remoção sumária, e encaminhado ao Brasil, provavelmente via terrestre através de Foz do Iguaçu (PR), antes de ser transferido às autoridades brasileiras para cumprimento da pena. Essa expulsão não segue o processo formal de extradição, mas uma medida prevista na legislação local para estrangeiros pegos cometendo crimes com documentos falsos.
Contexto da condenação
Silvinei Vasques foi condenado pelo STF em agosto de 2025 a 24 anos e 6 meses de prisão por sua participação na chamada trama golpista que tentou manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder após sua derrota nas eleições de 2022.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) e a PF acusam o ex-dirigente de utilizar a PRF para dificultar o deslocamento de eleitores em regiões onde a chapa adversária tinha maior intenção de voto, incluindo a realização de blitzes direcionadas durante o segundo turno.




