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Política

Entenda o procedimento que deve ser feito nesta segunda para tratar crise de soluços de Bolsonaro

O ex-presidente passa por procedimentos médicos frequentemente devido à facada da qual foi vítima durante a campanha eleitoral de 2018.
Por UrbNews
Atualizado há 6 meses
Tempo de leitura: 4 mins
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O ex-presidente passa por procedimentos médicos frequentemente devido à facada da qual foi vítima durante a campanha eleitoral de 2018. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Após uma forte crise de soluços na última semana, o ex-presidente Jair Bolsonaro foi submetido a um procedimento médico para aplacar os sintomas. No sábado (27), foi realizado o bloqueio do nervo frênico direito e a intervenção no lado esquerdo deve ocorrer nesta segunda-feira (29).

A previsão, segundo o hospital DF Star, em Brasília – onde Bolsonaro está internado desde a semana passada para operar uma hérnia –, é de que o bloqueio esquerdo seja realizado no início da tarde.

O que é o nervo frênico

Há dois nervos frênicos, um de cada lado do corpo. Eles se originam na região cervical e descem até o diafragma, músculo localizado no tórax usado na respiração.

O nervo frênico é o principal responsável por controlar o diafragma. Soluços são causados por contrações involuntárias e repetidas do diafragma, causando o fechamento da glote (a “tampa” da laringe, que regula a passagem de ar pelo pulmão) e gerando o som característico.

Como funciona o bloqueio do nervo frênico

O bloqueio médico desse nervo – feito com a aplicação local de anestésico e, opcionalmente, outras medicações – interrompe temporariamente os impulsos nervosos que estão provocando os espasmos do diafragma.

O procedimento é usado em casos graves de soluços persistentes, que não melhoram com medicamentos. Segundo a equipe médica de Bolsonaro, a medida foi adotada após uma alta dose de medicação não ter amenizado os sintomas, que estariam ocorrendo diariamente há meses.

O bloqueio não é uma cirurgia. Com o paciente sedado, o nervo é localizado por meio de um ultrassom. Então, é realizada uma punção, por onde é aplicado o anestésico – e, no caso do ex-presidente, também um medicamento corticóide, para prolongar os efeitos da intervenção.

Quais os riscos do procedimento

Como o diafragma está envolvido na respiração, tanto a frequência cardíaca como o nível de oxigenação do sangue do paciente são monitorados durante e após o procedimento. Também por esse motivo, o bloqueio é realizado em duas etapas, evitando um impacto indesejado.

De acordo com o radiologista intervencionista Mateus Saldanha, que realizou o procedimento em Bolsonaro, a ocorrência de falta de ar pode ser um dos efeitos colaterais do procedimento.

“Ao bloquear o diafragma, a pressão abdominal pode subir e comprimir a cavidade torácica”, explicou o médico em coletiva de imprensa no sábado.

Além disso, há o risco de, inadvertidamente, em vez de bloquear o nervo frênico, a medicação atingir o plexo branquial, rede nervosa que controla os membros superiores, afetando os movimentos das mãos e braços.

Qual é o prazo para a alta médica

Não é possível saber com certeza a data da alta médica antes da realização do procedimento. A previsão, no entanto, é que o paciente fique ao menos 48h em observação após a realização do bloqueio, segundo Claudio Birolini, cirurgião que integra a equipe médica do ex-presidente.

Assim, se a evolução do quadro de saúde de Bolsonaro for satisfatória, ele deve deixar o hospital na quarta-feira (31).

Na sequência, retornará à carceragem da Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal, em Brasília, onde cumpre pena por tentativa de golpe de Estado.

O ex-presidente passa por procedimentos médicos frequentemente devido à facada da qual foi vítima durante a campanha eleitoral de 2018. Em abril deste ano, por exemplo, o político foi submetido a uma operação de 12 horas para desobstrução intestinal.

 *Jéssica Maes, da Folhapress

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