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Saúde e Beleza

Mulheres acima dos 30 reinventam o bem-estar e a longevidade por meio do esporte

Estudo analisa como diferentes modalidades esportivas influenciam a saúde feminina em distintas fases da vida.
Por UrbNews
Atualizado há 4 meses
Tempo de leitura: 5 mins
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Foto: Freepik

A relação entre esporte, saúde e envelhecimento feminino tem ganhado cada vez mais espaço no debate científico e social. Após os 30 anos, o corpo da mulher passa por transformações hormonais que impactam o metabolismo, a composição corporal, a saúde óssea e o equilíbrio emocional. 

Diante desse cenário, a prática regular de atividades físicas deixa de ser apenas uma escolha estética e se consolida como uma aliada fundamental do bem-estar, da prevenção de doenças e da autonomia ao longo da vida.

É nesse contexto que pesquisas desenvolvidas pelo Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) vêm lançando luz sobre os benefícios do esporte para mulheres adultas. 

O estudo “Composição Corporal em Mulheres Praticantes de Exercícios Físicos”, coordenado pela pesquisadora Adriana Duarte Rocha e pelo pós-doutorando Marcelo Colonna, analisa como diferentes modalidades esportivas influenciam a saúde feminina em distintas fases da vida.

Ciência, esporte e qualidade de vida

Mais do que avaliar peso ou percentual de gordura, o projeto investiga indicadores profundos da saúde, como ingestão de macronutrientes, perfil lipídico e até o comprimento dos telômeros, estruturas celulares associadas ao envelhecimento. 

A proposta é compreender de que forma o exercício físico atua em níveis metabólicos e celulares, oferecendo subsídios tanto para decisões clínicas quanto para políticas públicas voltadas à saúde da mulher.

Os dados também são correlacionados ao tempo de prática esportiva e ao período reprodutivo das participantes, permitindo uma análise mais ampla sobre como o corpo feminino responde ao exercício antes, durante e após a menopausa.

Ciclismo: saúde sobre duas rodas

Uma das frentes do estudo analisou mulheres praticantes de ciclismo de rua. Conduzida pela bolsista PIBIC Julie Romão Posse, a pesquisa avaliou 32 ciclistas com idades entre 30 e 62 anos, utilizando métodos avançados como bioimpedância elétrica e pletismografia por deslocamento de ar.

Os resultados apontam para benefícios consistentes: a mediana do índice de massa corporal (IMC) ficou em 24,7, dentro da faixa considerada saudável, a gordura visceral apresentou mediana de 6,5, e a massa muscular esquelética foi superior à observada em mulheres sedentárias. Os dados indicam impactos positivos na saúde cardiovascular, metabólica e funcional.

Em entrevista ao portal do Ministério da Saúde, Julie destacou: “Na amostra estudada, a prática de ciclismo de rua esteve associada a um perfil de composição corporal mais favorável, com menos gordura e mais massa muscular em comparação a mulheres sedentárias.”

Segundo a pesquisadora, o maior desafio foi o recrutamento das voluntárias, já que muitas ciclistas mantêm rotinas intensas de treino e acompanhamento profissional. Ainda assim, os dados reforçam evidências sobre os ganhos concretos da atividade física.

Artes marciais: força que atravessa o tempo

Outra vertente do projeto foca em esportes de combate, como o judô. A própria coordenadora da pesquisa, Adriana Duarte Rocha, é atleta, faixa preta, instrutora master de muay thai e praticante de ciclismo e outras modalidades. Ela iniciou sua trajetória nas lutas após os 40 anos e, hoje, aos 56, é um exemplo vivo dos efeitos positivos do esporte no envelhecimento feminino.

“Tenho exames excelentes, sem osteoporose, colesterol controlado e uma composição corporal saudável. As artes marciais foram fundamentais para manter massa óssea e muscular após a menopausa”, relata.

Segundo Adriana, movimentos de impacto, como socos e chutes, estimulam a formação de osteócitos, células essenciais para a manutenção da densidade óssea, ajudando a prevenir a osteoporose. “O esporte não é estética. É saúde, prevenção e autonomia”, reforça.

Inspiração que vem do tatame

A pesquisa também revela histórias que inspiram fora dos laboratórios. Uma delas é a de Maria de Jesus Corrêa da Gama, de 63 anos, trabalhadora do Ambulatório de Nutrição do IFF/Fiocruz há quase quatro décadas e atleta há 48 anos. Judoca experiente, ela soma mais de 500 medalhas e troféus em modalidades como atletismo, natação, vôlei, karatê e tai chi chuan.

“O esporte me trouxe saúde mental, equilíbrio emocional e amizades pelo mundo. Já troquei mensagens com atletas de 17 países”, conta Maria, que recentemente conquistou medalha no Campeonato Brasileiro de Judô. Sua mensagem para outras mulheres é direta: “Viva com saúde. Faça qualquer esporte. Ficar parada enferruja. Seja feliz.”

Nunca é tarde para começar

Para os pesquisadores e participantes, a conclusão é unânime: não existe idade limite para iniciar uma prática esportiva. “Mesmo volumes menores de atividade física já oferecem benefícios comprovados”, explica Julie. “O importante é começar dentro das possibilidades e, sempre que possível, com orientação profissional.”

Adriana complementa com um conselho direto e bem-humorado: “Você não precisa ser atleta, mas precisa se movimentar. Exercício é autonomia, saúde e dignidade.”

O projeto segue em expansão, com novas frentes voltadas a modalidades como futebol, vôlei e musculação. O objetivo é ampliar a base de dados e fortalecer ações que promovam o envelhecimento ativo e saudável.

“Queremos mostrar que o esporte é acessível, transformador e essencial para a saúde da mulher. Não é sobre competir, é sobre viver com mais qualidade, força e alegria”, conclui Adriana.

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