A saúde mental é um fator decisivo no processo de aprendizagem de crianças e adolescentes. Questões emocionais não acolhidas de forma adequada podem refletir diretamente no rendimento escolar, na convivência social e no desenvolvimento global dos estudantes. Esse tema tem ganhado cada vez mais espaço no debate entre escolas e famílias, principalmente quando o foco está na prevenção e na atuação conjunta.
Embora a escola não tenha o papel de diagnosticar transtornos psicológicos, ela ocupa uma posição estratégica na observação cotidiana, no acolhimento e na articulação com as famílias quando surgem sinais de alerta.
Mudanças de comportamentos
Alterações persistentes no humor, dificuldades de concentração, queda no desempenho escolar, isolamento ou comportamentos impulsivos podem indicar que algo não vai bem emocionalmente. Esses sinais nem sempre representam um transtorno, mas funcionam como alertas importantes para que adultos estejam atentos e atuem de forma cuidadosa.
Nesse contexto, o acolhimento se torna essencial. Para a psicóloga infantil Dra. Larissa Gomes (CRP 11/15743), compreender as diferentes formas de comunicação da criança é o primeiro passo para esse cuidado.
“É muito importante que a gente entenda as diferentes formas de acessar, de expressar e de se comunicar. A criança ou o adolescente nem sempre conseguem externalizar o que sentem pela linguagem verbal, que é a que nós, adultos, usamos com mais facilidade”, explica.
Segundo a especialista, o processo de comunicação vai além da fala e pode se manifestar por meio do comportamento, do brincar, do desenho ou até do silêncio. “A comunicação está muito além da linguagem oral. Ela envolve a comunicação não verbal, o uso de livros, de histórias, de desenhos, de atividades que ajudem a criança a expressar o que sente”, pontua.
Importância do acolhimento
No ambiente escolar e familiar, pequenas ações podem fazer grande diferença. A psicóloga destaca que reservar momentos de escuta e convivência é uma forma eficaz de acolhimento.
“Eu posso tirar um tempo com aquela criança na hora do intervalo, no lanche, fazer uma leitura de um livro que fale sobre emoções, pedir para a criança desenhar. O adulto também participar desse processo é muito importante, porque a criança não se sente sozinha ou apenas observada”, explica Dra. Larissa.
Para ela, quando o adulto se coloca como modelo, o vínculo se fortalece: “Quando o adulto compartilha também seus sentimentos, explica situações que viveu, a criança vai se sentindo mais confortável para expressar seus desconfortos, pedir ajuda e falar do que está sentindo.”
O acolhimento, no entanto, não significa ignorar comportamentos inadequados: “A gente não vai negar que um comportamento é inadequado. O que fazemos é buscar entender antes de apenas reprimir. É explicar, propor uma troca de papéis, perguntar como ela gostaria que fosse conduzida se estivesse no lugar do outro.”
Relação entre família e escola
A parceria entre família e escola é fundamental para a promoção da saúde mental. Crianças e adolescentes podem apresentar comportamentos diferentes em casa e no ambiente escolar, o que torna a comunicação entre esses dois espaços ainda mais necessária.
“É natural que a criança apresente comportamentos diferentes em contextos distintos. Somos seres sociais, e o ambiente coletivo exige outras posturas, outros desafios. Por isso, o alinhamento entre família, escola e psicólogo é extremamente importante”, ressalta a psicóloga.
Segundo a Dra. Larissa, essa troca de informações contribui para compreender melhor o que está por trás de determinados comportamentos e favorece intervenções mais eficazes.
Busca por um profissional
É importante frisar que nem toda mudança de comportamento exige acompanhamento psicológico imediato. No entanto, a persistência, a frequência e o agravamento desses sinais devem ser observados com atenção.
“O encaminhamento é importante quando essas mudanças se tornam constantes, duram por mais tempo e começam a trazer prejuízos acadêmicos, sociais, cognitivos ou físicos”, orienta a especialista.
Ela explica que o trabalho da psicologia não se limita à intervenção em momentos de crise. “A psicoterapia envolve prevenção, intervenção e reabilitação. Existem casos em que os pais buscam acompanhamento preventivo, como em situações de mudança de escola ou quando a criança já apresenta dificuldade de adaptação.”
Nesse processo, a orientação parental também se apresenta como uma ferramenta importante: “Os pais podem buscar orientação para entender como conduzir determinadas situações, enquanto a criança recebe suporte para desenvolver estratégias emocionais e cognitivas.”
Para a especialista, a intervenção precoce é uma oportunidade de cuidado. “Intervir cedo evita o prolongamento do sofrimento, a persistência de comportamentos e possíveis atrasos no desenvolvimento”, finaliza.




