Uma equipe de cientistas da Universidade Federal do Ceará (UFC) desenvolveu um algoritmo de inteligência artificial que identifica em estágio inicial a retinopatia diabética, condição que figura entre as principais causas de cegueira no mundo. O sistema, denominado VDRAN (Voronoi-based Diabetic Retinopathy Analysis), foi testado em 800 imagens oculares e demonstrou alta precisão diagnóstica. A tecnologia foi apresentada nessa quarta-feira (14).
O algoritmo detecta microaneurismas, pequenas lesões vasculares na retina que constituem o primeiro sinal clínico da retinopatia diabética, complicação do diabetes que causa danos aos vasos sanguíneos do tecido retiniano.
A inovação combina conhecimentos de medicina, matemática e inteligência artificial (IA). O diferencial da pesquisa está no uso do Diagrama de Voronoi, ferramenta matemática que analisa a distribuição espacial dos microaneurismas na retina, fornecendo dados adicionais que aumentam a precisão do diagnóstico computadorizado.
O sistema VDRAN integra esta análise espacial com métodos de aprendizado de máquina. Os testes com as 800 imagens oculares mostraram que o sistema alcança índices de acurácia comparáveis aos sistemas de IA mais avançados disponíveis internacionalmente, com a vantagem de exigir menor custo computacional.
O doutor Mac Gayver da Silva Castro, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Médico-Cirúrgicas da UFC, é o principal responsável pelo desenvolvimento do sistema.
Uma característica importante do VDRAN é que todo o processamento dos dados foi realizado em um computador pessoal. O algoritmo utiliza recursos matemáticos “simples”, porém bastante instrutivos, o que facilita sua implementação em unidades de saúde que não possuem equipamentos de alto desempenho.
Atualmente, o modelo é um protótipo acadêmico e ainda não iniciou sua aplicação prática. Para evoluir para uma ferramenta operacional, precisa cumprir etapas como o desenvolvimento de uma interface clínica adequada e integração ao fluxo de atendimento. Estas fases estão em desenvolvimento.
Os pesquisadores preveem que, após a conclusão das etapas de desenvolvimento, a tecnologia poderá ser implementada inicialmente em Fortaleza e posteriormente integrada a programas de telemedicina. “O cenário mais imediato de aplicação é o rastreamento em grande escala de pacientes com diabetes em Fortaleza”, afirma o pesquisador Mac Gayver.
A equipe de cientistas da UFC argumenta que a integração da IA na teleoftalmologia pode transformar o rastreio da doença em áreas carentes, proporcionando serviços de diagnóstico remoto eficientes e levando o diagnóstico a locais sem oftalmologistas. A tecnologia também tem potencial para aplicação em outras áreas médicas, como avaliação de câncer, infecções, hemorragias, lesões pulmonares ou alterações cardíacas, segundo informações da Agência UFC.
*Texto redigido com auxílio de ferramenta de Inteligência Artificial




