O Brasil deu um passo histórico na luta contra a dengue ao iniciar, neste sábado (17), a aplicação de uma vacina 100% nacional e de dose única em três cidades-piloto, em uma estratégia coordenada pelo Ministério da Saúde com apoio do Sistema Único de Saúde (SUS) e do Instituto Butantan. A ação marca um novo capítulo na prevenção da doença, que ainda é um importante desafio para a saúde pública no país.
A vacinação começou a ser aplicada oficialmente em Maranguape (CE), Nova Lima (MG) e terá sequência em Botucatu (SP) a partir de domingo (18), com foco na imunização de pessoas entre 15 e 59 anos, público-alvo desta primeira fase. O objetivo é avaliar o impacto da vacina na redução de casos e transmissão da dengue, gerando dados que subsidiem a ampliação da campanha para outras regiões.
Em Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza, a campanha começou com um “Dia D” de vacinação na Praça João Leite, com a presença de autoridades estaduais, municipais e representantes do Ministério da Saúde. O município foi escolhido por sua estrutura de saúde e porte populacional adequados para a iniciativa, que também integra as ações de prevenção ao mosquito transmissor Aedes aegypti.
A vacina aplicada é a Butantan-DV, desenvolvida pelo Instituto Butantan e considerada a primeira do mundo contra a dengue com esquema de dose única, uma inovação que facilita a adesão da população ao programa de imunização. Estudos clínicos indicam eficácia global significativa e proteção reforçada contra formas mais graves da doença, oferecendo ao SUS uma nova ferramenta para combater surtos e reduzir hospitalizações.
Ao longo da campanha nestas três cidades, mais de 204 mil doses serão distribuídas com ações estruturadas para alcançar ao menos 50% da população estimada. O Ministério da Saúde também prevê que, gradualmente, a estratégia nacional de vacinação seja expandida, de acordo com os resultados observados nesta etapa.
Além da nova vacina, o programa nacional continua ofertando a vacina já existente de duas doses (QDenga, do laboratório Takeda) para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, que já vinha sendo aplicada desde 2024. A ampliação para vacina de dose única busca facilitar a logística, aumentar a cobertura vacinal e reduzir o impacto da dengue na população adulta, um dos grupos mais vulneráveis aos surtos.




