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Política

Trump convida Lula, Milei e outros líderes para conselho que governará Gaza

Governo Trump enviou a proposta na sexta (16) à embaixada do Brasil em Washington; criação do conselho faz parte da segunda fase do plano de paz dos EUA para a região.
Por UrbNews
Atualizado há 3 horas
Tempo de leitura: 5 mins
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convidou o líder brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o presidente argentino, Javier Milei, para integrar o chamado Conselho da Paz que irá governar Gaza. Fotos: Reprodução/The White House; Ricardo Stuckert/PR; Cancilleria Argentina

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convidou o líder brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para integrar o chamado Conselho da Paz, órgão criado para supervisionar o governo tecnocrático da Faixa de Gaza. A notícia foi publicada pelo site ICL Notícias e confirmada à Folha por integrantes do Itamaraty.

O governo Trump enviou a proposta na sexta (16) à embaixada do Brasil em Washington. Não havia, até a noite deste sábado (17), informações sobre a opinião de Lula relacionada ao convite. O americano também convidou outros chefes de Estado, incluindo os presidentes da Argentina, Javier Milei, e da Turquia, Recep Tayyip Erdogan.

O ultraliberal argentino, um dos principais aliados de Trump na América Latina, publicou uma foto do convite no X. “É uma honra ter recebido o convite para que a Argentina integre, como membro fundador, o Conselho da Paz”, escreveu Milei.

“A Argentina sempre estará ao lado dos países que enfrentam o terrorismo de forma direta, que defendem a vida e a propriedade, e que promovem a paz e a liberdade.”

Erdogan não havia se pronunciado sobre o convite de Trump; o anúncio foi feito pelo porta-voz do governo Burhanettin Duran. O americano ainda convidou o presidente do Paraguai, Santiago Peña, que disse que assumirá “a responsabilidade com honra”, o ditador do Egito, Abdel Fatah Al-Sisi, segundo a chancelaria do país árabe, e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, que tem a intenção de aceitar a oferta, de acordo com um funcionário do alto escalão de Ottawa.

Em contrapartida, o gabinete do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, afirmou que o anúncio de Trump sobre o conselho não foi coordenado com Tel Aviv e que a iniciativa vai na direção oposta à política adotada por Israel. Segundo o comunicado, o ministro das Relações Exteriores de Israel levará a questão ao chefe da diplomacia dos EUA, Marco Rubio.

O órgão será presidido pelo próprio Trump. A criação do conselho faz parte da segunda fase do plano de paz dos EUA para a região.

Os detalhes sobre o funcionamento do grupo ainda não estão claros. Segundo a agência Bloomberg, o governo Trump pretende exigir o pagamento de ao menos US$ 1 bilhão dos países com assento permanente no conselho. As decisões seriam tomadas por maioria, com direito a um voto para cada Estado-membro, mas todas dependeriam da aprovação final do presidente americano.

Na sexta, Trump anunciou primeiro nomes que vão compor o grupo: Marco Rubio; o ex-primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair; os enviados de Trump para o Oriente Médio, Steve Witkoff e Jared Kushner (este, genro de Trump); o bilionário americano Marc Rowan; o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga; e Robert Gabriel, assessor de Trump.

O conselho estará acima do chamado Comitê Nacional para o Governo de Gaza (NCAG, em inglês), liderado por Ali Shaath, ex-ministro dos Transportes da Autoridade Palestina, entidade que governa parcialmente a Cisjordânia ocupada. Nascido em Khan Yunis, na Faixa de Gaza, Shaath será responsável pela reconstrução do território palestino, em ruínas após dois anos de bombardeios de Israel.

Com a criação do conselho, o republicano cumpre o que prometeu, para espanto do mundo, em fevereiro de 2025, dias após voltar ao poder nos EUA. Na ocasião, o presidente disse que Washington assumiria o governo de Gaza, declaração da qual seu governo depois recuou. Agora, os EUA terão controle administrativo e militar do território.

A atuação do Conselho da Paz e do NCAG estava prevista na segunda fase do plano de paz dos EUA, apresentado em setembro de 2025. O plano foi aceito por Tel Aviv e pelo Hamas e aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU em novembro. Ele prevê também o envio de uma força militar de estabilização ao território, composta por Exércitos de países árabes, e o desarmamento do Hamas, ponto mais delicado do tratado.

O Hamas continua dizendo que só entregará as armas quando a criação de um Estado palestino se concretizar. A terceira fase do plano de paz prevê o reconhecimento desse Estado um desfecho que o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, já disse que nunca permitirá.

Lula tem feito críticas recorrentes à atuação de Israel na Faixa de Gaza. O presidente brasileiro afirmou em diversas ocasiões que as forças israelenses cometem genocídio contra os palestinos. As declarações desencadearam uma crise diplomática com Tel Aviv.

Milei, por sua vez, viajou neste sábado até Assunção, no Paraguai, para participar da assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia. Ao ser convidado a discursar, o presidente argentino voltou a elogiar o governo Trump e a defender a ação dos EUA na Venezuela que levou à prisão de Nicolás Maduro.

Ao defender o acordo como um símbolo de liberdade e integração na região, ele mencionou a situação na Venezuela como um exemplo. “A situação na Venezuela é uma prova disso, por isso valorizamos a decisão do presidente Donald Trump”, disse Milei, arrancando alguns aplausos da plateia.

* Por Manoella Smith, Isabella Menon e Douglas Gavras, da Folhapress

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