Dados do Ministério da Previdência Social publicados em 2025 mostram que o Brasil registrou quase 500 mil trabalhadores brasileiros que precisaram se afastar por comprometimento da saúde mental. Nesse contexto, a campanha Janeiro Branco chama a atenção para a importância do cuidado contínuo com a saúde mental, sobretudo nas organizações.
Neste ano, em 2026, entra em vigor a atualização da Resolução NR-1 (Norma Regulamentadora 1), norma reguladora base da segurança e saúde no trabalho (SST) no Brasil. A partir das novas diretrizes, as organizações deverão identificar, avaliar e gerenciar riscos psicossociais associados ao trabalho.
Para falar sobre o assunto, a a Urbnews falou com exclusividade com Aleks Mesquita. Ele é CEO da Amar.Elo Saúde Mental, empresa da Rede ICC Saúde voltada para a saúde mental dentro das organizações. Ele também é Presidente da Comissão de Saúde da Board Academy, especialista em gestão empresarial, e pós-graduado em Mental Health e Gestão da Qualidade de Vida no Trabalho.
Aleks aborda os impactos dessa nova resolução para o dia a dia das organizações em geral e o que as empresas devem fazer para se adaptar às novas diretrizes. Segundo o especialista, a saúde mental no ambiente de trabalho não pode ser mais tratada de forma superficial, mas geram consciência empresarial: “Então, a partir da época que eu começo a ser obrigado a colocar na minha estratégia, no meu dia-a-dia, para sempre, na minha empresa, o olhar para se eu, como empresário, se a minha empresa, tem alguma coisa que pode causar um risco psicossocial, assim como nós fazemos há décadas, por exemplo, com a lesão de esforço repetitivo”, disse.
Norma já existe, mas atualização requer adaptação urgente
A NR-1 estabelece diretrizes gerais para o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), e exige que as empresas identifiquem, avaliem e controlem riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos. Com a atualização de 2024 (vigente a partir de maio de 2025, com fiscalização a partir de maio de 2026), riscos psicossociais (como assédio moral e estresse), através do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), visando proteger a saúde física e mental dos trabalhadores e garantir ambientes de trabalho mais seguros e saudáveis.
Quando questionado sobre o que as empresas ou organizações em geral devem fazer para se adaptar às novas diretrizes, Aleks afirma que o mais urgente é que as empresas atualizem seus programas de gerenciamento. “Toda empresa que está fora do Simples Nacional é obrigada, e toda empresa cuja atividade oferece grau de risco é acima de 2. Então, eu vou pegar esse meu plano e eu vou sentar com a minha equipe de segurança do trabalho, terceirizada ou não, e minha equipe de recursos humanos e eu vou aplicar a atualização”, explica.
O monitoramento é parte importante do programa, segundo Aleks. “Existem vários testes, formas e maneiras de fazer. Se gera um programa, que é o PGR, e esse documento tem que ser enviado a partir do dia 27 de maio para o Ministério via E-Social. Depois, a gente vai estar na fase da execução do plano de ação, que aí vai ser enquanto o plano de ação estiver ativo ou não tiver sido atualizado”, detalha.
Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT) indicam que depressão e ansiedade geram perdas superiores a US$ 1 trilhão por ano em produtividade no mundo. Além disso, a OMS indica que, para cada R$ 1 investido em programas de saúde emocional, as empresas podem obter um retorno de até R$ 4 por meio de ganhos de produtividade, redução de afastamentos e menor rotatividade.
Embora o tema ganhe maior visibilidade durante o Janeiro Branco, o desafio de 2026 será justamente tirá-lo do campo simbólico e transformá-lo em política contínua. E espera-se que a saúde mental possa se firmar como um pilar de sustentabilidade organizacional e um diferencial competitivo decisivo para atração, retenção de talentos e desempenho de longo prazo.




