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Entenda o caso do cão Orelha, animal comunitário da Praia Brava morto por adolescentes

As investigações começaram quando foi feita uma denúncia de que um grupo de jovens seria responsável pelo crime de maus-tratos cometido contra Orelha
Por Giulia Tessmann
Atualizado há 4 meses
Tempo de leitura: 3 mins
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Orelha tinha 10 anos e foi levado a uma clínica veterinária para receber tratamento, porém seus ferimentos eram muito sérios e ele precisou ser submetido a uma eutanásia. Foto: Reprodução/Redes sociais

O caso do cão Orelha, animal comunitário que vivia na Praia Brava, no Norte de Florianópolis (SC), comoveu as redes sociais nas últimas semanas após ser brutalmente agredido. O cão, descrito pelos moradores da região como “dócil e brincalhão”, foi encontrado machucado e agonizando no último dia 15 de janeiro.

Orelha tinha 10 anos e foi levado a uma clínica veterinária para receber tratamento, porém seus ferimentos eram muito sérios e ele precisou ser submetido a uma eutanásia, procedimento conhecido como morte assistida. Segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que acompanha o caso, o cachorro foi agredido na região da cabeça, com um objeto contundente que ainda não foi encontrado. 

As investigações do caso começaram quando foi feita uma denúncia de que um grupo de jovens seria responsável pelo crime de maus-tratos cometido contra Orelha. A Polícia Civil de Santa Catarina (PC-SC) identificou ao menos quatro adolescentes suspeitos do crime. 

Na segunda-feira (26), a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão na casa de dois dos suspeitos, apreendendo celulares e notebooks, mas sem deter os jovens. Os demais investigados não foram alvo da operação pois estão fora do país, em uma viagem pré-programada nos Estados Unidos.  

Já nesta terça-feira (27), o delegado Ulisses Gabriel confirmou em suas redes sociais que três homens, dois pais e um tio dos adolescentes, foram indiciados por coagir testemunhas do caso. De acordo com a Polícia, os adolescentes identificados também são suspeitos de tentar afogar na mesma praia outro cachorro comunitário, o Caramelo.

A identidade dos adolescentes não foi fornecida pela investigação já que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) confere sigilo em investigações que envolvem menores de 18 anos. 

Quem era Orelha?

Um dos cães que se tornaram mascotes dos residentes da Praia Brava, Orelha convivia com outros cachorros da região e era cuidado pelos moradores. A médica veterinária, Fernanda Oliveira, que cuidava do animal, explicou em entrevista ao g1 que o cachorro era sinônimo de alegria e já fazia parte da sua rotina.

“Cada vez que alguém falava com ele em tom mais fino ou fazia menção de fazer carinho, ele abaixava as orelhas, abanava o rabo e ia se deitando até ganhar carinho na barriga. Ele era muito amado. Até os turistas já o conheciam. Um cachorrinho de 10 anos… que mal faria a alguém?”, explicou ao portal.

Segundo Fernanda, Orelha não tinha um responsável que pagasse por tratamentos, mas nunca ficou sem atendimento médico. 

Já a Associação de Moradores da Praia Brava divulgou uma nota nas redes sociais lamentando a morte do animal. “Orelha fazia parte do cotidiano do bairro há muitos anos e era cuidado de forma espontânea por pessoas da comunidade, tornando-se um símbolo simples, porém efetivo, da convivência e da relação de cuidado que muitos mantêm com o espaço e com os animais que ali vivem”, escreveram.

Os moradores da região organizaram protestos para cobrar as autoridades sobre a investigação do caso. A hashtag JustiçaPorOrelha também cresceu nas redes sociais nesta última semana com internautas postando fotos do animal e juntando declarações de figuras nacionais, como a atriz Heloísa Périssé e a primeira-dama Janja Lula da Silva.

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