Desde a saída de Arthur Cabral, um questionamento paira sobre os ares de Porangabuçu: quem será o próximo camisa nove do Ceará? De 2019 até 2025 os nomes foram diversos: Roger, Bérgson, Rodrigão, Clebão, Pedro Raul… Nenhum, entretanto, conseguiu ser unanimidade com o torcedor do Vovô.
A torcida do Ceará de fato tem sido rigorosa. Clebão foi o nome do Alvinegro na final da Copa do Nordeste de 2020. Pedro Raul foi artilheiro do clube em 2025 e na Série A, com 11 gols na elite, sendo herói da final do Cearense daquele ano, marcando contra o Fortaleza e trazendo o título do estadual.

O que falta, então, para agradar o torcedor? Talvez alguém que represente mais do que números: que demonstre entrega, identificação e pertencimento ao clube.
É nesse contexto que surge Lucca. Aos 22 anos, o atacante é formado nas categorias de base do Ceará, fator que, por si só, já cria um vínculo natural com a torcida. Mas, no futebol profissional, isso nunca é suficiente.

A primeira passagem pelo Vovô foi em 2017, ainda no Sub-15. Em 2020, Lucca foi contratado pelo Internacional, integrando o time de juniores. Em 2022, teve o seu melhor ano da carreira, com 23 gols em 39 partidas pela base do Colorado. Em 2023, foi para o time principal e, dois anos depois, retornou para o Vozão.
No time comandado por Léo Condé, o atacante não teve tantas oportunidades, jogando apenas em uma partida. Agora com Mozart, a tendência é que Lucca seja mais utilizado. Em 2026, já foram quatro jogos e dois gols. A torcida, no entanto, já não tem mais tanta paciência para testes.
Na estreia diante do Maranguape, foi possível sentir nas arquibancadas uma impaciência a cada erro cometido pelo atacante. No jogo seguinte, o alívio: gol de Lucca contra o Iguatu. O tento foi marcado ao melhor estilo “camisa nove”, recebendo um cruzamento e cabeceando sem chances para o goleiro adversário.
Ainda é cedo para julgamentos definitivos. Se Lucca ainda não agrada, não significa que o Ceará deve mandá-lo embora. Caso ele comece a balançar as redes nesse início de temporada, também não é garantido que ele seja o centroavante do ano do Vovô.
Lucca deve, de fato, receber mais oportunidades. É um jogador da casa, com fome de vencer pelo Ceará. Em 2025, foi resiliente para colher frutos em 2026 e isso deve ser valorizado.
O início, por fim, é promissor. Os gols no começo da temporada aliviam a pressão, renova a confiança do atacante e reacende a esperança da torcida do Ceará, que segue à espera de um camisa nove capaz de se firmar — dentro e fora de campo.



