O prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão (PT), anunciou nesta segunda-feira (2) que pretende solicitar uma audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para discutir a possibilidade de implantar a tarifa zero no transporte público da capital cearense, num movimento que colocaria Fortaleza na vanguarda nacional dessa política, se concretizado.
Em coletiva realizada durante a abertura do ano legislativo na Câmara Municipal, o prefeito reforçou que apoia a proposta, porém ponderou sobre a necessidade de cautela e sustentabilidade financeira diante do impacto que a gratuidade pode representar para as contas públicas.
“Temos que ter muita cautela, responsabilidade e prudência para que a gente possa avançar”, disse, apontando que, apesar de experiências em municípios próximos, a dimensão populacional e a demanda por transporte em Fortaleza impõem desafios adicionais.
Leitão adiantou que deve ir a Brasília logo após o Carnaval para abrir diálogo sobre a implementação da pauta. O objetivo é discutir a viabilidade técnica e financeira da medida com representantes dos governos federal e estadual, além de integrar dados e estudos que vêm sendo compartilhados com a União.
O presidente Lula já sinalizou interesse em lançar um programa nacional de tarifa zero até o fim de 2026, com Fortaleza e Rio de Janeiro apontadas como possíveis cidades-modelo para o programa. A proposição, no entanto, exige bases técnicas consolidadas e parceria com entes municipais e estaduais para garantir eficiência e equilíbrio fiscal.
O prefeito mencionou números do uso do transporte público em Fortaleza para reforçar a discussão: segundo Leitão, apenas 6% dos usuários pagam a tarifa integralmente, enquanto aproximadamente 68% utilizam vale-transporte e 26% têm benefícios que os isentam do pagamento, fatores que, segundo ele, podem ser levados em conta na análise de custo-benefício da tarifa zero.
Evandro também manifestou apoio à proposição que tramita na Câmara Municipal de Fortaleza sobre o tema, elogiando sua discussão entre os vereadores, mas reforçando que a eventual implementação deve estar baseada em estudos técnicos e projeções financeiras responsáveis.




