A terceira noite do Carnaval de Fortaleza movimenta o Aterrinho da Praia de Iracema nesta segunda-feira (16) e mantém o espaço tomado por foliões desde o fim da tarde. A programação reúne diferentes vertentes da música urbana, consolidando o local como um dos principais polos da festa na capital cearense.
Primeira a subir no palco, a banda Donaleda representa a força do reggae local. Formada em 2001, é reconhecida como a primeira banda de reggae autoral do Ceará e leva ao público canções próprias que marcaram sua trajetória ao longo de mais de duas décadas de atuação no cenário musical do Estado.
Confira um trechinho do show da banda Donaleda, que esquentou o público do Aterrinho:
A Banda Donaleda trouxe ao público não apenas música, mas também história e reflexão. Em entrevista exclusiva à Urbnews, o vocalista Invictor compartilhou a trajetória da banda, que nasceu em 2001 e acumula 25 anos de experiência, marcada por resistência e luta contra o sistema.
Invictor falou sobre o significado dessa luta dentro do contexto do carnaval. “A resistência contra a agressividade, a resistência contra o racismo… tudo isso pode acontecer no meio da folia, tá entendendo? A galera tá curtindo o carnaval ali, olha o que acontece, e o reggae vem trazendo um pouco de meditação, sobre a pessoa manter a positividade, tranquilidade, curtir de forma moderada”, explicou o vocalista.
Segundo ele, a música tem papel de difundir a paz: “Assim a gente vai pregando a paz. O reggae prega a paz, né? Ele fala de ‘diar’, diar é Deus, com certeza. Essa é a única razão que nós estamos aqui”.
O rapper fortalezense WIU também subiu ao palco do Aterrinho da Praia de Iracema como a terceira atração da programação, levando o público à euforia.
Recebido com muita animação pelos fãs, WIU, um dos nomes mais promissores da nova geração do rap nacional, mostrou porque já conquistou destaque no cenário musical do país.
A apresentação reforçou a energia contagiante do evento, transformando a noite em um verdadeiro espetáculo de ritmo e conexão com a plateia. Confira:
Em entrevista à Urbnews, WIU comentou sobre a receptividade do público: “a galera de Fortaleza tem um apetite muito forte pra arte, pra cultura. O nordeste em sí mas acho que Fortaleza mais especificamente”.
O artista ressaltou ainda a energia do público e a importância de celebrar a música e a cultura nordestina no coração da capital cearense.
WIU é reconhecido por ser um artista completo, atuando como produtor e beatmaker, produzindo suas próprias batidas, compondo e cantando, com influências que vão desde sons de jogos eletrônicos até o funk
O rapper mineiro Djonga subiu ao palco do Aterrinho da Praia de Iracema, sendo a atração de encerramento da programação. Reconhecido como um dos nomes mais influentes do cenário do rap nacional, Djonga apresentou músicas com letras inspiradoras que abordam críticas sociais e reflexões sobre a realidade contemporânea.
O show reuniu fãs de diferentes gerações, que acompanharam cada verso e se engajaram com a mensagem das canções. Empolgado com o público, Djonga foi para o meio da multidão, e se jogou nas típicas rodas punk que costumeiramente se formam em seus shows.
Com sua presença marcante e estilo único, Djonga reafirmou a importância do rap como ferramenta de expressão e debate cultural, consolidando seu lugar entre os grandes artistas do gênero.
Após apresentação intensa no Aterrinho da Praia de Iracema, o cantor Djonga concedeu entrevista à Urbnews e destacou a importância do rap como ferramenta de conscientização e transformação social.
O artista, que integrou a programação do Carnaval da capital cearense, ressaltou a conexão histórica entre os gêneros da música negra e explicou como o rap mantém viva a tradição da crítica social que, em outros momentos, teve no samba seu principal canal de expressão entre os jovens.
“Eu acho que talvez não seja a música tradicional, quando você pensa em carnaval, você vai pensar no samba, né, e tal. Mas a relação da música preta, ela é gigante, de uma com a outra, né. Eu acho que o que o rap faz hoje, o movimento de falar das coisas que tem que ser dito, tá ligado? É o que o samba, em algum momento, foi pra juventude”, disse Djonga.
Para o rapper, o gênero ocupa atualmente um espaço essencial no debate social e na construção de perspectivas para a juventude, funcionando como instrumento de expressão, resistência e incentivo a novos caminhos: “Não que não seja mais hoje, mas assim, tinha um momento que, assim, era o grande lance da crítica social, era através do samba, tá ligado? Eu acho que o rap é uma manutenção disso também, a manutenção da canção, a manutenção da ideia, da palavra, da poesia, tá ligado?”, refletiu.
Confira entrevista:




