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Plano de Trump para reconstruir Gaza prevê arranha-céus à beira-mar

O projeto apresentado na quinta prevê que a curto prazo sejam removidos escombros e munições não explodidas
Por UrbNews
Atualizado há 3 semanas
Tempo de leitura: 6 mins
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Trump anunciou que os EUA vão enviar US$ 10 bilhões (R$ 52 bilhões) para o Conselho da Paz, mas não detalhou qual será o uso desta verba. Foto: White House/Daniel Torok

O Conselho da Paz criado por Donald Trump apresentou nesta quinta-feira (19) um plano de reconstrução da Faixa de Gaza que prevê arranha-céus à beira-mar, ferrovias, portos, aeroporto e exploração de gás natural no território palestino.

O conselho, criado pelo presidente dos Estados Unidos, anunciou na reunião um investimento inicial de US$ 7 bilhões (cerca de R$ 37 bilhões) para ajudar na recuperação de Gaza, devastada por bombardeios de Israel durante dois anos de guerra contra o grupo terrorista Hamas.

O valor, entretanto, corresponde a 10% dos US$ 70 bilhões que seriam necessários para reconstruir o território ao longo de décadas, de acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas), dos quais US$ 20 bilhões precisariam ser gastos nos primeiros três anos para estabilizar a grave crise humanitária pela qual passam os palestinos de Gaza.

O plano detalhado em Washington mostra que 85% dos prédios e construções de Gaza foram destruídos. Em outubro de 2025, as Nações Unidas disseram que o conflito gerou cerca de 55 milhões de toneladas de entulho, uma quantidade de escombros equivalente a 13 vezes o volume das pirâmides de Gizé, no Egito.

O projeto apresentado na quinta, que não mencionou tempo ou custo de cada uma das suas fases, prevê que a curto prazo sejam removidos escombros e munições não explodidas, além de restabelecimento das cadeias de suprimento, fornecimento de água, saneamento e energia.

Na sequência, virá a construção de habitação permanente, hospitais, clínicas, escolas e universidades. Por fim, a longo prazo, é esperada a construção de arranha-céus à beira-mar, com infraestrutura de transporte, exploração de recursos energéticos e desenvolvimento urbano avançado.

Participaram da primeira reunião do Conselho da Paz líderes de 20 países que já aderiram à iniciativa de Trump, como a Argentina, o Egito e a Turquia. O Brasil ainda não respondeu ao convite do americano, e o governo Lula (PT) avalia que a organização tem risco de esvaziar a ONU.

Trump anunciou que os EUA vão enviar US$ 10 bilhões (R$ 52 bilhões) para o Conselho da Paz, mas não detalhou qual será o uso desta verba. Alguns dos países presentes se comprometeram com aportes de dinheiro para o conselho, como os Emirados Árabes, que anunciaram US$ 1,2 bilhão para o grupo, o Qatar, com US$ 1 bilhão, e Arábia Saudita com US$ 1 bilhão —que devem ser pagos ao longos próximos anos.

Outros países se comprometeram a ajudar a estabilizar Gaza com outros tipos de esforços. A Indonésia ofereceu enviar pelo menos 8.000 soldados para formar uma força de segurança na região, enquanto o Cazaquistão afirmou que vai enviar dinheiro e também trigo ao território palestino. O Bahrein vai ajudar com infraestrutura para serviços digitais e o Uzbequistão se prontificou a reconstruir escolas, creches e hospitais.

O Egito afirma que vai continuar os esforços para treinar policiais palestinos a fim de manter a segurança na Faixa de Gaza. A Romênia vai atuar na construção de serviços de emergência, escolas e instituições, e a Turquia disse que vai contribuir no setor de saúde, educação e treinamento da polícia.

O empreendedor imobiliário americano Marc Rowan, indicado por Trump a uma cadeira no conselho, detalhou que, em um primeiro momento, serão construídas 100 mil casas e, a longo prazo, 400 mil, número que comportaria toda a população da região. O valor total das construções das residências seria de US$ 30 bilhões.

Não foram anunciadas datas ou previsões para isso. “O potencial é gigantesco, mas precisa começar em algum lugar. O começo é em Rafah, onde vai ser o primeiro local onde a segurança vai ser estabelecida”, disse Rowan, que afirmou que “não há um problema financeiro, há um problema de paz”.

Ele afirmou ainda que a região é valiosa do ponto de vista imobiliário e vale o investimento. “Só a costa vale US$ 50 bilhões, as residências mais de US$ 30 bilhões, a infraestrutura US$ 30 bilhões”, disse o bilionário.

A ideia de arranha-céus na região já tinha sido apresentada no Fórum Econômico de Davos, na Suíça, em janeiro. No evento, slides mostravam dezenas de prédios na costa do Meditarrêneo e conjuntos habitacionais na área de Rafah.

No ano passado, Trump já tinha ventilado a ideia de usar a região de Gaza para construções luxuosas. Em fevereiro, ele sugeriu que a área deveria ser despovoada para ser reconstruída como uma espécie de resort ao gosto de suas propriedades na Flórida e no Mediterrâneo.

Ele afirmou na ocasião que os Estados Unidos deveriam liderar o esforço, tomando para si o território e até enviando tropas. Na prática, o Conselho da Paz concretiza essa ideia, uma vez que o comitê tecnocrático palestino que governará Gaza está sob supervisão e controle de Trump.

Além dos prédios luxuosos, foi anunciada também a implementação de internet de alta-velocidade para toda a população até julho deste ano com o objetivo de possibilitar pagamento com carteira digital, o que seria uma forma de retomar o comércio em Gaza.

De acordo com o comitê palestino apoiado pelos EUA, foram abertas as inscrições para uma força policial em Gaza, que deverá suplantar o controle armado que os terroristas do Hamas hoje detém no território. O comitê afirmou que cerca de 2.000 palestinos se inscreveram para a força policial nas primeiras horas após o anúncio.

Em publicação no X, o Comitê Nacional para a Administração de Gaza afirma que um processo de recrutamento “está aberto a homens e mulheres qualificados que desejam servir na força policial”.

O comunicado inclui um link para um site onde palestinos podem se candidatar. Os candidatos devem ser residentes de Gaza com idade entre 18 e 35 anos, não ter antecedentes criminais e estar em boa forma física.

Com informações de Isabella Menon, da Folhapress 

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