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Polilaminina não é indicada para todos e caso de Bruno Drummond é exceção; entenda

A substância foi desenvolvida após mais de 25 anos de pesquisa na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Por Iasmim Melquíades
Atualizado há 3 meses
Tempo de leitura: 3 mins
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A Anvisa autorizou os testes e, até agora, 55 pacientes entraram na Justiça solicitando o tratamento, apenas 33 foram aprovados. Foto: Reprodução/ Instagram @/bfdrummond

Uma descoberta científica brasileira tem dominado os debates sobre medicina regenerativa. A polilaminina, substância desenvolvida através de uma pesquisa na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), promete “reconectar” os sinais interrompidos entre o cérebro e o corpo. Embora os resultados recentes mostrem pacientes recuperando movimentos antes considerados impossíveis, o uso da substância não é universal e depende de critérios rigorosos.

A polilaminina é uma versão biofabricada da laminina, uma proteína que todos nós possuímos e que é fundamental durante o desenvolvimento do embrião para guiar a formação do sistema nervoso. A substância atua como um suporte físico e químico que estimula neurônios rompidos na lesão medular a crescerem novamente e atravessarem a área lesionada, restabelecendo a comunicação antes interrompida.

Atualmente, o uso da polilaminina ainda ocorre sob protocolos de pesquisa ou autorizações específicas, e a eficácia do medicamento depende de fatores determinantes. 

O primeiro fator é o tipo de lesão, voltado para casos onde ainda há potencial de regeneração dos axônios. O segundo, e talvez mais crucial, é o fator tempo. Especialistas apontam que a eficácia é significativamente maior quando aplicada em lesões recentes, pacientes com lesões muito antigas podem enfrentar dificuldades maiores.

Casos como o da repórter do Fantástico, Flávia Cintra, que sofreu uma lesão incompleta — na qual os estímulos continuam passando apesar da lesão da medula — não são indicados para o tratamento com a substância. A jornalista consegue sentir os membros inferiores e realizar pequenos movimentos; essas são algumas das razões pelas quais o medicamento não funcionaria para ela. “Os pesquisadores ainda não conseguem afirmar que eu teria benefícios reais com a aplicação”, disse Flávia.

A Anvisa autorizou os testes e, até agora, 55 pacientes entraram na Justiça solicitando o tratamento, apenas 33 foram aprovados. Contudo, a agência permite o “uso compassivo” quando o paciente não atende aos critérios do estudo.

Além dos critérios de aplicação, existem riscos e cuidados essenciais, como aplicação profissional e o auxílio da fisioterapia. A substância reconecta os “cabos”, mas o paciente precisa reaprender a enviar e interpretar os comandos cerebrais através de reabilitação.

Bruno Drummond foi um dos primeiros pacientes a receber a substância, em 2018. Após um acidente de carro, ele sofreu uma lesão completa na medula. Vinte e quatro horas depois do ocorrido, Bruno recebeu a primeira dose de polilaminina. Hoje, ele recuperou o controle do corpo e voltou a andar. “Um ano depois do acidente, eu estava andando de bengala; um ou dois meses depois, já estava começando a andar de forma independente”, relatou o bancário

“O Bruno foi um caso de exceção. Haverá pessoas que vão melhorar muito e outras que vão melhorar pouco, mesmo usando a mesma técnica, o mesmo tipo de aplicação e, às vezes, no mesmo momento”, disse o neurocirurgião de coluna Marco Aurélio Braz.

Com a autorização da Anvisa para o início de estudos clínicos oficiais, a expectativa é que a segurança e a eficácia sejam comprovadas em grupos maiores. A comunidade científica pede cautela contra promessas milagrosas e reforça que o tratamento ainda não está disponível para venda comercial.

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