A bióloga, pesquisadora e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Tatiana Sampaio participou na noite da última segunda-feira (23) de uma entrevista no programa “Roda Viva” onde respondeu a diversas perguntas de jornalistas de diferentes veículos de comunicação.
Quando perguntada, pelo jornalista e apresentador do programa Ernesto Paglia, se havia descoberto a cura para paralisias parciais ou completas, causadas por lesões na medula, a cientista ressaltou a importância de lembrar que a polilaminina não é a cura, e que ainda está em fase de estudos e testes.
“Eu acho que ‘descobrir a cura’ é muito forte. Nós temos uma substância que até agora tem se mostrado muito promissora, tem trazido resultados que não tinham sido observados anteriormente. […] Tudo indica que estamos indo no caminho certo, mas ainda é uma pesquisa em andamento”, afirmou.
Tatiana reforçou, mais uma vez, o compromisso em lembrar que a pesquisa continua acontecendo enquanto a divulgação nacional dos resultados se espalha. “Não acredito que exista um caminho correto (de divulgação) que a ciência exija. Uma coisa para mim é clara: a velocidade da ciência e os ritos da ciência eles são muito bem estabelecidos, eles tem limites, e essa divulgação está extrapolando esses limites”, afirmou Tatiane. “Agora, se isso é bom ou ruim, é discutível”, completou.
A afirmação surge em um momento onde a substância está em uma posição de esperança para a reversão de paralisias por lesão na medula. Apesar disso, a pesquisadora ponderou que é necessário cautela para evitar a criação de expectativas — como da cura total — que ainda não podem ser plenamente sustentadas. “É lógico que, se não existe nenhuma resposta e, de repente, aparece alguma, as pessoas vão se empolgar e buscar isso.
Bruno de Freitas, paciente que recuperou 100% o movimento do corpo após sofrer um acidente de carro que acarretou fraturas como a lesão medular, esteve no programa e complementou o posicionamento de Tatiane: “Acho que isso é muito importante de deixar frisado: de que a polilaminina não garante a recuperação, ela possibilita a recuperação, e precisa ser muito bem combinada com a fisioterapia”.
A cientista explicou que, no momento, não existe um número suficiente de pacientes para que seja feita uma comparação entre a recuperação de Bruno e outros casos. Apesar disso, “a gente pode inferir, que o fato de que ele recebeu (a medicação) muito cedo, e que teve acesso a fisioterapia e a reabilitação como um todo, tenham contribuído para ele ter um sucesso maior”, disse Tatiana.




