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Conheça a história de mulheres notáveis que dão nomes a ruas em Fortaleza

No mês das mulheres, a Urbnews destaca a história daquelas que estão por trás dos nomes de algumas ruas da capital cearense
Por Sandra Costa
Atualizado há 3 meses
Tempo de leitura: 5 mins
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Rachel de Queiroz nasceu em Fortaleza e tornou-se uma das mais importantes escritoras brasileiras do século XX. Foto: Acervo do Instituto Moreira Salles

No traçado urbano de Fortaleza, placas de ruas e avenidas guardam memórias que atravessam séculos. Entre elas, nomes de mulheres que deixaram marcas na literatura, na política, na luta social, na educação e na resistência negra.

No mês dedicado às mulheres, a Urbnews reúne algumas histórias de personalidades que dão identidade a vias importantes da capital cearense. Para isso, ouvimos Nanda Mota, mestre em ensino de história pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e professora na rede estadual de educação do Ceará, e Sandoval Matoso, também professor e mestre em história pela UFC, que comentaram as mensagens histórica e social do protagonismo feminino no espaço público.

Segundo Nanda, preservar a memória de mulheres na toponímia urbana, como nos nomes de ruas e avenidas, é importante para a construção da identidade histórica e social de uma cidade: “A memória é um elemento muito importante para que a gente garanta que fatos e pessoas terão sua identidade, suas memórias, preservadas e que isso faça parte da construção da nossa identidade no tempo presente. Então, a gente precisa também entender por que aquelas ruas trazem o nome dessas mulheres e saber quem elas foram e quais foram as suas contribuições para a nossa identidade”, disse à reportagem.

Mais que endereços, esses logradouros são marcos simbólicos da presença feminina na construção da cidade e ajudam a moldar a história local, defende o professor Sandoval: “A cidade, os espaços, o patrimônio, assim como as narrativas históricas, são frutos de disputa. E quando você resolve perpetuar, imortalizar uma pessoa a partir do batismo de espaços públicos, você está revelando escolhas e mostrando para a sociedade valores que você quer que sejam defendidos, memórias que você quer que se perpetuem”, afirma.

Confira abaixo quem são algumas das mulheres que dão nomes às vias de Fortaleza, e suas histórias:

Maria Tomásia Figueira Lima 

A Rua Maria Tomásia, localizada na Aldeota, homenageia uma das figuras centrais do movimento abolicionista no Ceará. Nascida em 1826, Maria Tomásia foi uma das fundadoras da Sociedade Cearense Libertadora e atuou ativamente na articulação política e social pelo fim da escravidão. O Ceará tornou-se a primeira província brasileira a abolir a escravidão, em 1884, quatro anos antes da Lei Áurea. Sua trajetória simboliza o protagonismo feminino em um dos capítulos mais decisivos da história nacional.

Henriqueta Galeno

Escritora, educadora e poetisa, Henriqueta Galeno foi uma das principais vozes femininas da cultura cearense no século XX. Filha do poeta Juvenal Galeno, fundou a “Ala Feminina” na Casa de Juvenal Galeno, espaço voltado à valorização da produção intelectual das mulheres. Sua atuação contribuiu para ampliar a presença feminina nos círculos literários e educacionais do estado.

Jovita Feitosa

Conhecida como a “Heroína de Fortaleza”, Jovita Feitosa ganhou notoriedade ao se alistar como voluntária para lutar na Guerra do Paraguai (1864–1870). Disfarçada de homem, tentou integrar as tropas brasileiras, tornando-se símbolo de coragem e transgressão de padrões de gênero da época. Embora não tenha seguido até o campo de batalha, sua história permanece como referência de bravura feminina.

Rachel de Queiroz

Primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras, Rachel de Queiroz nasceu em Fortaleza e tornou-se uma das mais importantes escritoras brasileiras do século XX. Autora de obras como O Quinze, retratou a seca e as transformações sociais do Nordeste. Em Fortaleza, seu nome batiza ruas nos bairros Carlito Pamplona, Conjunto Palmeiras e Jangurussu, além de um dos maiores parques urbanos da cidade, reforçando seu legado literário e cultural.

Dandara dos Santos

Dandara dos Santos foi uma mulher trans assassinada brutalmente em 2017 em Fortaleza. A dor da sua morte representa um dos símbolos mais dolorosos e importantes da luta contra a transfobia, a violência LGBTfóbica e a marginalização da população trans no Brasil.

Ana Facó

Ana Facó foi uma intelectual e militante ligada a movimentos sociais e políticos no Ceará, com atuação destacada no campo educacional e cultural. Seu nome permanece como referência de engajamento e participação feminina em debates sociais e políticos no estado.

Conheça mais histórias através do projeto de educação patrimonial 

Os professores Nanda Mota e Sandoval Matoso promovem, neste domingo (8), uma aula intitulada ‘Mulheres do Ceará – entre narrativas e lutas!’, onde irão percorrer as ruas de Fortaleza a partir de uma perspectiva patrimonial, refletindo sobre o papel das mulheres na construção da nossa cidade. Para maiores informações, acessem o Instagram do Prof. Sandoval Matoso (@prof.sandovalmatoso) e Prof. Nanda Mota (@profa.nandamota)

Serviço

Mulheres do Ceará – entre narrativas e lutas!

Aula de história à pé, percorrendo as ruas do Centro de Fortaleza

Data: 08/03 (domingo), das 9h às 12h

Ponto de encontro: Passeio Público (Rua Dr. João Moreira – Centro)

Ingresso: R$ 60 (via pix)

Inscrições: Através do link na bio da Prof. Nanda Mota (@profa.nandamota)

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