O ex-marido da ativista cearense Maria da Penha, Marco Heredia, e outros três homens viraram réus em um processo na Justiça após uma denúncia do Ministério Público do Ceará relatando uma campanha de ódio contra a mulher organizada pelos quatro. A denúncia foi aceita nesta segunda-feira (9) pela Justiça.
Segundo a denúncia, a campanha de ódio tinha como base o documentário “A Investigação Paralela: o Caso da Maria da Penha”, no qual foi utilizado um laudo adulterado do exame de corpo de delito de Marco Heredia para sugerir que ele era inocente das duas acusações de homicídio contra a ex-mulher.
Além disso, os quatro suspeitos — Marco Antônio Heredia Viveiros, ex-marido da ativista e condenado por tentativa de homicídio contra ela; Alexandre Gonçalves de Paiva, influenciador; Marcus Vinícius Mantovanelli, produtor do documentário; e Henrique Barros Lesina Zingano, editor e apresentador do produto — mantinham grupos no WhatsApp onde organizavam ações para a campanha de ódio.
Em uma situação, Alexandre Paiva esteve em Fortaleza com o intuito de “incomodar dona Maria da Penha”, segundo áudio enviado por ele em um dos grupos dos acusados.
O ex-marido de Maria da Penha é réu por falsificação de documento público, enquanto Marcus Mantovanelli e Henrique Zingano respondem por uso de documento falso, e Alexandre Paiva é acusado de intimidação sistemática e perseguição.
Alexandre já havia sido alvo de busca e apreensão na operação “Echo Chamber”, investigação que acarretou a suspensão do perfil dele nas redes sociais, além da apreensão de documentos eletrônicos.
Relembre o Caso Maria da Penha
Em 1983, Maria da Penha passou por duas tentativas de homicídio por parte do então marido, Marco Antônio Heredia Viveiros. Na primeira tentativa de assassinar a mulher, Marco deu um tiro em suas costas enquanto ela dormia. Como consequência, Maria da Penha ficou paraplégica. O homem declarou que os ferimentos teriam sido causados durante uma tentativa de assalto.
A segunda tentativa de homicídio aconteceu quatro meses após o primeiro crime, quando a vítima havia voltado dos procedimentos cirúrgicos e se recuperava em casa, quando Marco mais uma vez tentou tirar a vida da esposa, eletrocutando-a.
Em 1996, o homem foi condenado a 10 anos e seis meses de prisão, pena que não foi cumprida, pois, segundo a defesa do acusado, haviam sido identificadas irregularidades no processo de julgamento.




