Uma atualização considerada histórica na doutrina das Testemunhas de Jeová flexibiliza regras sobre o uso de sangue em tratamentos médicos. O boletim do Corpo Governante publicado no último dia 20 de março permite que fiéis autorizem a retirada, armazenamento e posterior reutilização do próprio sangue em procedimentos cirúrgicos programados,prática conhecida como transfusão autóloga.
O anúncio foi feito por Gerrit Losch, uma das lideranças da organização, que destacou a autonomia individual na tomada de decisão. “Cada cristão deve decidir por si mesmo como seu sangue será usado em cuidados médicos e cirúrgicos”, afirmou.
Apesar da flexibilização, a proibição de transfusões com sangue de doadores permanece inalterada. A restrição continua válida para componentes como hemácias, plasma e plaquetas, mantendo um dos pilares históricos da crença, baseada na interpretação bíblica sobre a santidade do sangue.
A nova diretriz impacta cerca de 9 milhões de seguidores em todo o mundo, incluindo aproximadamente 900 mil no Brasil, e pode facilitar a realização de cirurgias eletivas e outros procedimentos previamente planejados.
No entanto, a mudança não resolve situações de emergência médica, como acidentes ou tratamentos complexos, a exemplo de alguns casos de câncer que exigem transfusões imediatas de sangue de terceiros.
Com a nova diretriz, a organização busca adaptar práticas médicas à realidade contemporânea sem abrir mão de suas convicções centrais.




