Dos vários clichês que cercam o futebol, os que rodeiam um clássico são os de maior impacto. No Clássico-Rei, o chavão da vez é: “um jogo que vale mais que três pontos”. Analisando friamente o cenário do último duelo entre Ceará e Fortaleza, a máxima foi além, abrindo espaço para o famigerado “quem não faz, leva”.
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Pré-jogo: crise de confiança para ambos os lados
Antes do Clássico, Vovô e Leão viviam momentos parecidos em 2026. Desde a final do Campeonato Cearense, as duas equipes vinham tendo dificuldades para ganhar a confiança da torcida.
O Fortaleza até vinha bem no Nordestão, mas enfrentava dificuldades na Série B. A equipe do Pici estreou sofrendo uma goleada por 4 a 0 para o Botafogo-SP e, na rodada seguinte, empatou com o Cuiabá em casa. O Leão conquistou sua primeira vitória no torneio somente contra o Juventude na terceira rodada e é o 13º na tabela.
Nesse contexto, o trabalho de Thiago Carpini não convencia. Após o apito final nesta quarta, o trabalho do treinador pareceu ficar por um triz.
Laion com um a mais, e pressão em Carpini
Em mais um jogo com um a mais em campo, o Fortaleza não conseguiu aproveitar a superioridade numérica, e ainda foi derrotado para o Ceará, que perdeu Fernandinho ainda aos 20 minutos da etapa inicial, sobrando mais de 70 minutos de jogo. Esse foi o 6º duelo em que um adversário do Tricolor teve menos de 11 atletas disputando a partida. Desses seis, o Leão venceu apenas três.

Jogos em 2026 que o Fortaleza esteve com um jogador a mais
- Ferroviário 0 x 0 Fortaleza – 11 de janeiro
- Fortaleza 4 x 0 Quixadá – 15 de janeiro
- Fortaleza 1 x 0 Maracanã – 18 de janeiro
- Fortaleza 1 x 1 Iguatu – 31 de janeiro
- Fortaleza 2 x 0 Ferroviário – 21 de fevereiro
- Ceará 2 x 0 Fortaleza – 8 de março
As más atuações se refletem nas arquibancadas, onde dificilmente a equipe colocou mais de 10 mil pessoas no ano de 2026. A pressão agora se volta para o cargo técnico da equipe. Thiago Carpini não é mais unanimidade entre os torcedores.
Neste domingo (12), o Leão viaja para São Paulo, onde enfrenta o São Bernardo-SP pela 4ª rodada da Série B. O time do interior paulista ocupa a 11ª posição na tabela, e vem de uma vitória fora de casa contra o Botafogo-SP.
A iminência da desclassificação no Nordestão
Desde a derrota na final do Cearense, o Vozão vivia uma pressão por um futebol mais vistoso, além da necessidade de vitórias. Após a finalíssima, os números apontavam: 7J, 2V, 4E, 1D, o que levou a equipe a demitir membros da diretoria: Haroldo Martins (CEO), Lucas Drubscky (Executivo de Futebol) e João Paulo Sanchez (Coordenador Técnico).
Com a mira apontada para o técnico Mozart, o time chegou para o Clássico pressionado também pela má fase no torneio. Tricampeão do Nordestão e figurinha carimbada nas fases finais da competição em quase todas as temporadas que disputou, o ano de 2026 acendeu um sinal de alerta ainda na fase de grupos. Antes de entrar em campo nesta quarta-feira (8), o Ceará ainda não havia vencido no certame e enxergava de perto uma possível desclassificação precoce.
Redenção de Mozart
A noite para o Ceará não poderia ser melhor. Vencer o Fortaleza por 2 a 0 com um jogador a menos durante mais de 70 minutos é raro. O resultado ainda manteve dois tabus. Um de 25 anos sem perder para o Leão em duelos pelo regional. E outro mais recente: 14 jogos invicto em Clássicos-Rei.

O resultado traz moral e tranquilidade para a continuidade do trabalho de Mozart, que chega à segunda vitória seguida sem tomar gols. A expectativa é de uma melhora no público para o próximo jogo, em casa, no sábado (11), contra o Náutico, pela Série B. Uma vitória colaria o Vovô de vez na briga pelo acesso.
O Alvinegro ocupa a 6ª colocação da Segundona. A equipe soma três jogos no torneio, com uma vitória (Cuiabá) e dois empates (São Bernardo-SP e Ponte Preta). O Náutico é o 5º.




