O Brasil pode enfrentar mudanças significativas no clima a partir do segundo semestre de 2026 com a possível atuação do El Niño. Projeções do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), publicadas no último dia 6, indicam que o fenômeno tem alta probabilidade de se estabelecer nos próximos meses, trazendo impactos como ondas de calor e alterações no volume de chuvas em diferentes regiões do país.
De acordo com as análises do órgão, o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial deve se intensificar entre agosto e outubro, o que pode resultar em temperaturas acima da média, principalmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. Já áreas do Norte e Nordeste podem enfrentar períodos mais secos, enquanto o Sul tende a registrar aumento nas precipitações.
Em nota, o Cemaden afirma que “há mais de 80% de probabilidade de ocorrência de um novo episódio do fenômeno El Niño na segunda metade de 2026”, destacando ainda que os modelos atuais apontam para um aquecimento do oceano em torno de 1,5 °C, o que caracteriza um evento de intensidade moderada a forte. Apesar disso, o órgão ressalta que ainda não é possível prever com precisão a magnitude dos impactos.
Em episódios anteriores, o El Niño esteve associado a eventos extremos no Brasil, como chuvas intensas no Sul, com risco de alagamentos e deslizamentos, e estiagens prolongadas em outras regiões, favorecendo inclusive a ocorrência de queimadas.
O El Niño é um fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico Tropical, que interfere na circulação atmosférica global. Esse processo altera padrões climáticos em diversas partes do mundo e pode ocorrer em intervalos de dois a sete anos, com impactos diretos sobre temperatura, umidade e regime de chuvas.

