O Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE) prendeu o delegado da Polícia Federal e ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) nesta segunda-feira (13). A detenção aconteceu em Orlando, na Flórida, por volta das 12h no horário de Brasília. O ex-parlamentar foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
A captura ocorreu enquanto Ramagem caminhava por uma rua em Orlando. O ex-deputado foi levado a um centro de detenção na mesma cidade. A Polícia Federal recebeu a notificação sobre a prisão aproximadamente às 12h, horário de Brasília. A informação foi confirmada à GloboNews.
A detenção resulta da cooperação entre autoridades brasileiras e norte-americanas. O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, esclareceu que “a prisão é fruto da cooperação internacional Brasil-Estados Unidos no combate ao crime organizado. Ramagem é um cidadão foragido da Justiça brasileira e, segundo autoridades norte-americanas, está em situação migratória irregular”.
A captura foi possível porque o ministro Alexandre de Moraes determinou a inclusão do nome de Ramagem na lista da Interpol. A medida permitiu sua detenção por autoridades estrangeiras. O ex-deputado enfrenta condenação de 16 anos de prisão pelo STF. Ele é acusado de integrar o núcleo crucial da trama golpista que visava manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder.
Ramagem deixou o território brasileiro em setembro de 2025. A saída aconteceu antes do término do julgamento no STF. Conforme investigações da Polícia Federal divulgadas pelo g1, ele atravessou clandestinamente a fronteira de Roraima com a Guiana para evitar a prisão. Posteriormente seguiu para os Estados Unidos.
A Embaixada do Brasil em Washington enviou a documentação de extradição ao Departamento de Estado dos EUA em 30 de dezembro de 2025. Em janeiro de 2026, o Ministério da Justiça informou ao STF que o pedido de extradição foi formalmente encaminhado ao governo norte-americano.
Durante o período em que permaneceu no exterior, Ramagem sofreu sanções administrativas e políticas. Em 18 de dezembro de 2025, teve o mandato como deputado federal cassado pela Câmara dos Deputados. A Câmara cancelou seu passaporte diplomático após a cassação. Por determinação do STF, a Câmara efetuou o bloqueio dos vencimentos parlamentares do ex-deputado.
Ramagem ingressou na Polícia Federal em 2005. Ganhou destaque ao chefiar a segurança de Jair Bolsonaro após o atentado em Juiz de Fora. O atentado ocorreu durante a campanha de 2018. Na gestão Bolsonaro, foi nomeado para chefiar a Agência Brasileira de Inteligência. Sua gestão é alvo de investigações sobre o uso da estrutura do órgão para monitorar ilegalmente adversários políticos. O caso ficou conhecido como “Abin Paralela”.
Em 2020, Bolsonaro tentou nomeá-lo Diretor-Geral da Polícia Federal. A nomeação foi suspensa pelo ministro Alexandre de Moraes (STF) devido à proximidade pessoal de Ramagem com a família do presidente.
Em 2022, foi eleito deputado federal pelo PL-RJ com aproximadamente 59 mil votos. Teve o mandato cassado pela Mesa Diretora da Câmara em dezembro de 2025. A cassação ocorreu após sua condenação criminal na trama golpista. Na eleição municipal de 2024, disputou a Prefeitura do Rio de Janeiro. Terminou em segundo lugar.
A Polícia Federal está em contato com autoridades norte-americanas para dar prosseguimento aos trâmites relacionados ao caso. O governo brasileiro aguarda mais informações sobre os trâmites do processo de retorno, segundo o diretor-geral da Polícia Federal. Ainda não há detalhes sobre como será o processo de retorno de Ramagem ao Brasil. Aliados do ex-deputado afirmavam que Ramagem pretendia solicitar asilo político nos Estados Unidos.
*Texto redigido com auxílio de ferramenta de Inteligência Artificial




