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Alagoas

Sururu fará parte do cardápio das escolas municipais de Alagoas

O marisco é reconhecido como Patrimônio Imaterial do estado
Por UrbNews
Atualizado há 3 semanas
Tempo de leitura: 5 mins
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O marisco será incluído no cardápio escolar de quatro maneiras. Foto: Divulgação

Uma formação realizada na última semana marca o início de uma nova etapa na política de alimentação escolar da rede pública municipal de ensino. A Secretaria de Educação de Maceió (Semed) deu o primeiro passo para incluir o sururu no cardápio das escolas, unindo nutrição, valorização cultural e fortalecimento da economia local. O marisco é reconhecido como Patrimônio Imaterial de Alagoas.

A capacitação reuniu merendeiras das cinco unidades de ensino, as escolas municipais Nosso Lar, Deraldo Campos, Rui Palmeira, Lindolfo Collor e Silvestre Péricles, que participarão do projeto-piloto “Sururu na escola: inclusão e nutrição”. A formação ocorreu na Escola Nosso Lar e foi conduzida pela merendeira e gastróloga da Semed, Raquel Vieira.

A profissional conta que o marisco será incluído no cardápio escolar de quatro maneiras: frito, com legumes, em forma de moqueca e de macarronada. “Para as crianças e adultos que irão provar pela primeira vez, a gente está trazendo o sururu na forma de moqueca, usando leite de coco, o sururu frito e a macarronada de sururu”, diz Raquel

E completa: “Sabemos que o sururu tem um sabor bem característico e queremos diversificar o preparo. O que trouxemos de diferente para os pratos? O gengibre e a pimenta de cheiro, que podem ser usados tranquilamente na alimentação escolar e, da forma que prepararemos, não vai ter ardor, apenas o sabor”.

A coordenadora-técnica de Nutrição e Segurança Alimentar da Semed, Ana Denise Cotrim, explica que a previsão é introduzir o alimento no cardápio a partir de maio, com a compra inicial, com recursos próprios, de cerca de 280 quilos mensais do produto, para atender aproximadamente três mil alunos das cinco escolas contempladas. Na primeira fase, o alimento deverá ser servido uma vez por mês.

Ana Denise destaca que o projeto foi estruturado com base em critérios rigorosos de qualidade e segurança alimentar. “A proposta é avançar com responsabilidade, garantindo qualidade nutricional e respeito às normas sanitárias, ao mesmo tempo em que fortalecemos a economia local e valorizamos a cultura alimentar do nosso estado”, revela.

Experiência e resgate

Uma das participantes da formação, Roseneide dos Santos, merendeira da Nosso Lar, falou sobre a importância de inserir o marisco, que faz parte da história de Alagoas, na merenda escolar. “As escolas ainda irão fazer a experiência, mas creio que será aceito pelos estudantes. Inclusive, porque muitas famílias dos nossos alunos têm renda e o sustento através do sururu. Então, para eles comerem aqui na escola vai ser algo novo, uma experiência”, ressalta.

O farmacêutico Eduardo Peglow, doutorando em ciências da saúde e segurança alimentar pela Universidade Federal do Rio Grande, experimentou pela primeira vez o sururu. Ele, que está acompanhando algumas iniciativas da Semed, destacou a experiência gastronômica, bem como o resgate da alimentação regional.

“Provei pela primeira vez o caldinho de sururu e achei maravilhoso! Acho que é algo que pode ser incluído na escola, porque muitas vezes se perde essa questão da alimentação mais regional, mais cultural, e as crianças vão levar essa cultura de volta para suas famílias. Além disso, a escola tem um papel muito importante para atingir a segurança alimentar, uma vez que, infelizmente, muitas famílias ainda vivem em situação de vulnerabilidade”, pontua.

Visitas técnicas e impactos socioeconômicos

Antes da implantação do projeto piloto, as equipes da secretaria realizaram visitas à Cooperativa de Marisqueiras Mulheres Guerreiras (Coopmaris), que vai fornecer o marisco, para compreender a cadeia produtiva do sururu e viabilizar a compra direta das trabalhadoras locais.

A medida segue as diretrizes da Comissão de Alimentos Tradicionais dos Povos (Catrapovos ), iniciativa do Ministério Público Federal para viabilizar a compra de alimentos produzidos por comunidades tradicionais, a exemplo de pescadores, marisqueiras, indígenas, quilombolas e ribeirinhos, por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

Os impactos econômicos da ação são considerados promissores. De acordo com a coordenadora de Nutrição da Semed, a maior comercialização mensal registrada pela cooperativa fornecedora girava em torno de R$ 2,5 mil. Com a entrada das escolas municipais no processo de compra, a estimativa é que esse valor alcance cerca de R$ 13 mil mensais, ampliando significativamente a renda das marisqueiras.

“Além do aspecto econômico, a proposta reforça a identidade cultural alagoana dentro do ambiente escolar, aproximando os estudantes de alimentos típicos da região e promovendo a educação alimentar baseada na realidade local. Nossa expectativa é que, após a avaliação do projeto piloto, a iniciativa possa ser expandida para outras unidades da rede municipal, consolidando o sururu como um elemento permanente na alimentação escolar de Maceió”, finalizou Ana Denise.

Com informações do Cada Minuto. 

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