A passagem de Mozart pelo Ceará chegou ao fim após uma sequência de resultados que aumentou a pressão sobre o treinador. Contratado com a missão de conduzir o clube de volta à elite do futebol brasileiro, o técnico encerrou sua trajetória no Vozão com 57,2% de aproveitamento, somando 15 vitórias, 10 empates e sete derrotas em 32 partidas.
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Embora tenha acumulado alguns méritos, como a utilização de jogadores das categorias de base e as duas vitórias conquistadas nos Clássicos-Rei, Mozart não conseguiu dar a consistência esperada ao desempenho da equipe. As eliminações em competições importantes, o não cumprimento de metas estabelecidas pelo clube e a oscilação na Série B acabaram desgastando sua permanência no cargo.
A derrota para o Operário, na Arena Castelão, foi o capítulo final de um trabalho que já vinha sendo questionado nas últimas semanas e culminou na decisão da diretoria pela mudança no comando técnico. Confira três fatores que pesaram para a saída de Mozart do Ceará.
1. Insistência em nomes contestados
Um dos principais pontos de desgaste do trabalho de Mozart foi a insistência em alguns jogadores que atravessavam momentos de baixa performance. Nomes como Lucas Lima e Bruno Ferreira seguiram recebendo oportunidades mesmo diante das críticas da torcida e das atuações abaixo do esperado.
A situação ganhou ainda mais repercussão na reta final da passagem do treinador. Na última semana no comando do Ceará, Mozart optou por afastar Vina e Pedro Henrique, alegando critérios técnicos. A decisão aumentou os questionamentos sobre as escolhas do técnico, já que outros atletas que vinham acumulando erros continuavam entre os titulares ou recebendo sequência.
Bruno Ferreira, por exemplo, esteve envolvido em falhas decisivas ao longo da temporada e teve sua permanência na equipe constantemente debatida. Já Lucas Lima não conseguiu manter regularidade técnica, mas seguiu sendo utilizado em momentos importantes.
2. Resultados abaixo das metas estabelecidas
Se as escolhas dentro de campo geravam questionamentos, os resultados também passaram a pesar contra o treinador. Apesar das duas vitórias nos Clássicos-Rei, Mozart não conseguiu atingir objetivos considerados importantes pela diretoria. O Ceará terminou a temporada estadual sem o título do Campeonato Cearense e ficou abaixo das metas traçadas nas competições eliminatórias.
Na Copa do Brasil, o planejamento interno previa uma campanha até, pelo menos, as oitavas de final. No entanto, o Vozão foi eliminado ainda na terceira fase. Já na Copa do Nordeste, a expectativa era alcançar a semifinal, mas a equipe caiu nas quartas de final.
Na Série B, a equipe também acumulou tropeços que aumentaram a pressão. A derrota para o Operário, na Arena Castelão, simbolizou um dos momentos mais delicados do trabalho. O Ceará vencia a partida até o início do segundo tempo, mas sofreu o empate em uma cobrança de falta e, pouco depois, levou a virada após desperdiçar uma oportunidade clara de ampliar o placar.
Outro problema recorrente foram as expulsões. Somente nos últimos seis jogos, o time recebeu cinco cartões vermelhos. Contra o Operário, Lucas Lima foi expulso após ter entrado no segundo tempo, Fernandinho também deixou a equipe com um jogador a menos. A indisciplina passou a impactar diretamente o desempenho do time e comprometer resultados importantes.
3. Falta de uma equipe definida
A constante alteração nas escalações também foi alvo de críticas durante a passagem de Mozart. Ao longo da temporada, o treinador promoveu mudanças frequentes na equipe, tanto entre os titulares quanto entre os jogadores relacionados. Em diversos momentos, atletas que iniciavam uma partida acabavam perdendo espaço no jogo seguinte, dificultando a formação de uma base sólida.
A falta de continuidade impediu que alguns setores da equipe ganhassem entrosamento e regularidade, algo considerado fundamental em uma competição longa e desgastante como a Série B.
O caso de Melk é um dos exemplos mais citados. Considerado uma das principais promessas das categorias de base do Ceará, o atacante alternou entre convocações e ausências, além de passar vários jogos sem ser utilizado mesmo estando à disposição.
Curiosamente, quando recebeu oportunidades em sequência, respondeu dentro de campo. Nos últimos três jogos disputados, Melk marcou três gols e teve uma assistência, números que reforçaram a percepção de que poderia ter sido mais aproveitado ao longo da temporada.
Agora, a diretoria alvinegra corre contra o tempo para definir o substituto de Mozart. A intenção do clube é anunciar um novo treinador o mais rápido possível, permitindo que o profissional tenha um período de adaptação e já comece a trabalhar com o elenco nos próximos dias.
O Ceará volta a campo na próxima quarta-feira (10), às 20h, no Estádio Presidente Vargas, contra o Avaí, e a expectativa é que o novo comandante já esteja integrado à rotina do clube para iniciar a preparação da equipe para a sequência da Série B.




