Uma equipe de mais de cem cientistas do Francis Crick Institute, no Reino Unido, conseguiu capturar, através de um exame de sangue, o câncer de pulmão com até cinco anos de antecedência do diagnóstico.
Anos antes de um tumor aparecer, as células respondem a um agressor, o cigarro, poluição e uma mutação silenciosa. O tecido entra num estado de inflamação que, sozinho, não é doença, mas é terreno fértil para que ela nasça.
O achado foi publicado na edição de 25 de junho da revista científica Cell e é descrito pelos autores como um primeiro passo rumo a um exame capaz de prever o tipo de câncer que mais mata no mundo e, no futuro, ajudar a torná-lo mais evitável.
Os cientistas usaram dados do Biobanco do Reino Unido para analisar milhares de proteínas no sangue e identificaram 14 que ajudam a prever o risco de câncer de pulmão anos antes do diagnóstico.
Combinadas a fatores como idade e histórico de saúde, elas mostraram maior precisão que modelos atuais. O resultado foi validado em mais de 55 mil pessoas em diferentes países e também indicou risco em não fumantes, grupo pouco considerado nos rastreamentos atuais.
O exame pode ampliar o seu rastreamento, hoje baseado em tomografia anual para pessoas entre 50 e 80 anos com histórico significativo de tabagismo. Os critérios atuais de rastreamento deixam de fora ex-fumantes de longa data, quem fumou pouco e, principalmente, não fumantes, grupo que cresce entre os casos de câncer de pulmão. Se confirmada, a análise das 14 proteínas pode ajudar a identificar quem realmente precisa de exames mais precoces, mesmo fora dessas regras.




