A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) apresentou seu primeiro relatório global sobre ensino superior. O documento foi divulgado na última terça-feira (12) em Paris. O estudo consolidou informações de 146 países e mostrou que as matrículas nesse nível de ensino passaram de 100 milhões em 2000 para 269 milhões em 2024, representando crescimento de 169% no período. Atualmente, 43% da população mundial entre 18 e 24 anos frequenta o ensino superior.
O diretor-geral da Unesco, Khaled El-Enany, declarou que o relatório demonstra a crescente demanda por ensino superior no planeta, “que desempenha um papel insubstituível na construção de sociedades sustentáveis”. El-Enany afirmou que a expansão registrada nem sempre resulta em oportunidades equitativas. Essa situação reforça a necessidade de modelos inovadores de financiamento capazes de garantir um ensino superior inclusivo e de qualidade.
O levantamento abrangeu principalmente o período de 2000 a 2024. Alguns dados específicos referem-se a 2013, 2022, 2023 e 2025. O estudo documentou a evolução das matrículas, da mobilidade estudantil internacional, da participação de instituições privadas, das disparidades regionais e de gênero. O relatório também analisou aspectos relacionados ao financiamento e à conclusão dos cursos.
Acesso ao ensino superior varia entre regiões
Na Europa Ocidental e América do Norte, 80% dos jovens estão matriculados no ensino superior. Na América Latina e Caribe, o percentual cai para 59%. Nos Estados Árabes, o índice é de 37%. No Sul e Oeste da Ásia, atinge 30%. Na África Subsaariana, apenas 9% dos jovens têm acesso a esse nível de ensino.
As instituições privadas representam um terço das matrículas globalmente. Na América Latina e Caribe, essa participação alcança 49% em 2023. Em Brasil, Chile, Coreia do Sul e Japão, quatro em cada cinco estudantes frequentam instituições privadas de ensino superior.
O relatório indica que apenas um terço dos países estabelece legalmente o ensino superior público gratuito. A taxa bruta global de graduação passou de 22% em 2013 para 27% em 2024.
Mobilidade internacional cresce e beneficia 3% dos estudantes
A mobilidade internacional de estudantes triplicou no período analisado. O número passou de 2,1 milhões em 2000 para quase 7,3 milhões em 2024. A Unesco avalia que a mobilidade beneficia apenas 3% do total de estudantes no mundo.
Sete países (Alemanha, Austrália, Canadá, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia) recebem metade de todos os estudantes internacionais. Turquia e Emirados Árabes Unidos registraram crescimento de pelo menos cinco vezes no número de estudantes na última década.
Na América Latina e Caribe, a proporção da mobilidade intrarregional subiu de 24% para 43% entre 2000 e 2022. A Argentina é o principal destino nessa região.
Mulheres superam homens nas matrículas
Em 2024, havia 114 mulheres matriculadas para cada 100 homens no ensino superior globalmente. A paridade de gênero foi alcançada em todas as regiões, com exceção da África Subsaariana.
A Ásia Central e o Sul da Ásia apresentaram progresso na paridade de gênero. As duas regiões tinham 68 mulheres matriculadas para cada 100 homens em 2000 e atingiram a paridade em 2023.
As mulheres ocupam apenas cerca de um quarto dos cargos de liderança sênior no meio acadêmico. Elas permanecem sub-representadas no nível de doutorado.
As matrículas de refugiados no ensino superior tiveram aumento de nove vezes. O percentual passou de 1% em 2019 para 9% em 2025. Essas pessoas ainda enfrentam obstáculos para acessar a educação superior. O reconhecimento de qualificações é uma das principais barreiras.
O Passaporte de Qualificações é uma das soluções para enfrentar esse desafio. A ferramenta visa reconhecer qualificações acadêmicas e profissionais de pessoas refugiadas. O instrumento está sendo implementado no Iraque, no Quênia, em Uganda, na Zâmbia e no Zimbábue.
Apenas um terço dos países implementou programas de acesso para grupos sub-representados. África do Sul, Chile, Coreia do Sul, Filipinas, Itália, Japão, Maurício e México adotaram medidas para ampliar o acesso ao ensino superior. Esses países reduziram ou eliminaram as taxas para grupos específicos.
O investimento governamental médio no ensino superior corresponde a 0,8% do PIB (Produto Interno Bruto) global. A austeridade fiscal intensifica a pressão sobre as instituições, reforçando a necessidade de modelos inovadores de financiamento, conforme a Unesco.
A rápida expansão do ensino superior nas últimas décadas pressionou os sistemas de ensino. O documento evidencia a necessidade de garantir padrões de qualidade e aumentar o acesso de grupos desfavorecidos.
O relatório não especifica os motivos pelos quais a taxa de conclusão dos estudos não acompanhou o ritmo das matrículas. O documento também não detalha quais são os modelos inovadores de financiamento que poderiam garantir um ensino superior mais inclusivo e de qualidade.
Khaled El-Enany afirmou que, por meio de iniciativas como a Convenção Global sobre a Educação Superior e o Passaporte de Qualificações, a Unesco continuará apoiando os países na oferta de oportunidades de ensino superior para todas as pessoas.
*Texto redigido com auxílio de ferramenta de Inteligência Artificial




