Um estudo publicado pela Universidade de São Paulo (USP) aponta que crianças e adolescentes tendem a desenvolver melhor a responsabilidade e a organização financeira quando recebem mesada sem nenhuma exigência de contrapartida, como metas de comportamento ou tarefas domésticas.
De acordo com os autores do estudo, Ivana Carla Strapazzon, Marco Túlio Aniceto França e Gustavo Saraiva Frio, os dados utilizados foram obtidos por meio do Pisa, programa internacional de avaliação educacional coordenado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Os pesquisadores ressaltam que a liberdade para administrar o próprio dinheiro contribui para que os adolescentes desenvolvam autonomia e aprendam, na prática, a lidar com escolhas financeiras. A pesquisa também sugere que famílias que adotam esse modelo costumam conversar mais sobre economia doméstica e consumo consciente.
O estudo destaca ainda que atrelar a mesada a tarefas pode gerar efeitos negativos, já que o tempo dedicado às obrigações pode reduzir o período disponível para os estudos e impactar o desempenho escolar.
Além disso, os pesquisadores reforçam a importância de conceder a mesada de maneira consciente no dia a dia, para que crianças e adolescentes aprendam, desde cedo, com erros e escolhas de consumo.
Dessa forma, existem hábitos diários que os responsáveis podem introduzir na rotina das crianças e adolescentes para incentivar uma relação mais responsável com as finanças.
Para os especialistas, é essencial que a mesada seja utilizada como ferramenta de aprendizado, ajudando crianças e adolescentes a tomar decisões, lidar com erros e compreender o valor do dinheiro ao longo do tempo. Eles também defendem que colaborar com as atividades da casa deve ser entendido como parte da convivência familiar, e não necessariamente como uma atividade remunerada.




