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De olho na água, agricultor encontra petróleo no Ceará, mas segue enfrentando a seca no sertão

Descoberta inédita em propriedade rural de Tabuleiro do Norte desperta interesse da ANP, mas agricultor afirma que sua principal necessidade continua sendo o acesso à água para a produção e a sobrevivência dos animais
Por Sandra Costa
Atualizado há 1 hora
Tempo de leitura: 3 mins
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Foto: Marcelo Andrade/IFCE

O que começou como uma tentativa de amenizar os efeitos da seca terminou em uma descoberta que chamou a atenção de especialistas e autoridades do setor energético. No município de Tabuleiro do Norte, no Vale do Jaguaribe, interior do Ceará, o agricultor Sidrônio Moreira, de 63 anos, encontrou petróleo cru ao perfurar um poço artesiano em sua propriedade rural. Apesar da confirmação da descoberta pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o sertanejo afirma que sua principal preocupação continua sendo a mesma: encontrar água.

A perfuração foi realizada com o objetivo de garantir abastecimento para os animais e para a plantação. Em vez da água tão esperada, porém, o agricultor se deparou com um líquido escuro, viscoso e com forte odor semelhante ao de combustível.

Inicialmente, a descoberta gerou dúvidas e curiosidade entre moradores da região. Amostras do material foram coletadas e enviadas para análise. Após meses de avaliação técnica, a ANP confirmou, em maio deste ano, que a substância encontrada no terreno é, de fato, petróleo cru.

No entanto, a realidade do campo continua marcada pela escassez hídrica, um problema histórico enfrentado por milhares de famílias do semiárido nordestino.

A situação é compartilhada pela família. A esposa de Sidrônio relatou as dificuldades de abastecimento enfrentadas pelos moradores da localidade. Segundo ela, a água é um recurso escasso e muitas vezes insuficiente para atender às necessidades básicas das famílias rurais.

Agricultor não pode mais perfurar poços no terreno

Após confirmar a presença de petróleo, a ANP instaurou um processo administrativo para avaliar a área e compreender melhor o contexto geológico da descoberta. O órgão pretende estudar a extensão da reserva, o potencial econômico da ocorrência e a viabilidade de uma eventual exploração comercial.

Até o momento, não há prazo definido para a conclusão dos estudos. Técnicos deverão analisar fatores como volume estimado de petróleo, profundidade das reservas, características do solo e possíveis impactos ambientais antes de qualquer decisão sobre exploração. A exploração depende de uma série de estudos técnicos, econômicos e ambientais, além da comprovação de que a reserva possui volume suficiente para justificar investimentos.

Enquanto isso, para Sidrônio Moreira, a expectativa continua voltada para algo mais simples e essencial: encontrar uma fonte de água capaz de garantir a continuidade da produção rural em meio às dificuldades impostas pela seca.

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