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Economia

Novas tarifas atingem 21% do que Brasil exporta para EUA, diz ministro da Indústria

Segundo o economista Sérgio Vale, esse aumento afetará a exportação de máquinas, equipamentos, madeira e produtos elétricos
Por UrbNews
Atualizado há 27 minutos
Tempo de leitura: 4 mins
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Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil

O ministro da Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, afirmou nesta terça-feira (2) que a nova proposta do governo do presidente Donald Trump de impor 25% de tarifas a produtos brasileiros irá afetar 21% das exportações nacionais aos americanos. 

Segundo o ministro, 25% dos produtos brasileiros enviados aos EUA já enfrentam sobretaxas com base na Seção 232, que atinge aço, alumínio e autopeças. Outros 54% estão livres das tarifas. A sugestão de novo tarifaço é resultado da investigação comercial americana com base na Seção 301.

O próximo passo do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA) é abrir uma consulta para que o setor privado comente os resultados antes da elaboração do relatório definitivo, que precisa ser publicado até 15 de julho.

“Vamos trabalhar com esse período até 15 de julho. Agora começa a parte das consultas públicas”, disse Elias em entrevista a jornalistas.

Na coletiva, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou que o governo Lula (PT) recebeu “com indignação e considera injusta” a proposta dos EUA e falou em “falsos patriotas” com interesses eleitorais.”Sempre que o diálogo avança, falsos patriotas, sabotadores, colocam seus interesses eleitorais acima do interesse público”, disse. “É descabida a recomendação, e o governo do presidente Lula vai trabalhar para que ela não ocorra”, afirmou.

Alckmin e Rosa deram as declarações após reunião entre o alto escalão para tratar do assunto. Além dele, participaram os ministros Dario Durigan (Fazenda), Márcio Elias Rosa (Indústria e Comércio), Bruno Moretti (Planejamento) e Sidônio Palmeira (Secom). O Ministério das Relações Exteriores foi representado pelo embaixador Maurício Lyrio, secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Itamaraty.

Segundo o economista Sérgio Vale, da consultoria MB Associados, os principais produtos afetados serão máquinas e equipamentos (dos quais o Brasil exportou US$ 2,36 bilhões no ano passado), madeira e manufaturados (US$ 1,24 bilhão vendidos em 2025) e produtos elétricos, como transformadores (cerca de US$ 920 milhões).

 A projeção de Vale calcula que 27% das exportações brasileiras aos EUA serão atingidas.”Basicamente foram afetados produtos industrializados. Cerca de um quarto dos impactados são máquinas e equipamentos”, afirma.

A estimativa do economista é que as isenções da lista da investigação da seção 301 representam US$ 21,2 bilhões, ou 56,3%, do total de US$ 37,7 bilhões que foram vendidos pelo Brasil aos Estados Unidos no ano passado. Outros 16,8% estão sendo investigados em outra seção da legislação americana, a 232. São produtos como aço, veículos, autopeças, alumínio, derivados de aço e cobre. Eles não estão nem isentos nem expostos à nova tarifa. 

O economista avalia que apesar de o presidente americano, Donald Trump, acreditar que as tarifas estimularão a produção interna, a medida encarece os produtos ao consumidor americano, tornando a economia dos EUA menos eficiente.

“Nesse sentido, era esperado que houvesse um aprendizado em evitar taxar aquilo que causa processo inflacionário imediato por não ter substituto doméstico, mas continua a ideia equivocada de que os EUA produzirão mais desses produtos que vão deixar de comprar do Brasil.” Para ele, o momento é de buscar novos mercados.

O governo Trump concluiu a investigação da seção 301 contra o Brasil e propôs novo tarifaço de 25% sobre bens importados do país. A investigação acontece por meio do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA), que fez a sugestão de um novo tarifaço como resposta ao que vê como práticas comerciais injustas do Brasil. 

A decisão sobre aplicação ou não cabe ao presidente dos EUA, Donald Trump. Agora, o USTR vai abrir uma consulta para que o setor privado comente os resultados antes da elaboração do relatório definitivo, que precisa ser publicado até 15 de julho.

A sugestão exclui uma ampla lista de bens considerados estratégicos para a economia dos Estados Unidos ou cuja oferta doméstica é insuficiente. Entre eles estão diversos alimentos e produtos agropecuários, como carne bovina, suco de laranja, castanha-do-pará, castanha de caju, coco, banana, manga, mamão, abacaxi, laranja, limão e outras frutas tropicais. Outro destaque é a exclusão da indústria aeronáutica.

Maeli Prado e Isadora Albernaz, da Folhapress

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