O governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), seguiu o posicionamento do presidente Lula e acusou o senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) de agir contra os interesses do Brasil. A crítica ocorreu após o parlamentar se reunir com autoridades dos EUA em meio às negociações sobre novas tarifas a produtos brasileiros.
“(Quero) lamentar demais que um pré-candidato à Presidência da República vá aos Estados Unidos (pedir) para ter sanções contra o seu país”, disse o governador.
Dias após o senador Flávio Bolsonaro se reunir com autoridades em Washington, o governo Donald Trump anunciou uma taxa de 25% sobre as importações do Brasil. O novo tarifaço deve começar a valer em meados de julho.
“Eu já vi muita coisa na vida, mas alguém se dispor a ser presidente do Brasil traindo o seu País é a primeira vez que eu, infelizmente, tenho que testemunhar um fato tão lamentável”, concluiu o governador petista.
Alinhado a Lula, Elmano endossou as críticas à família Bolsonaro. Em pronunciamento anterior, o presidente chamou os parlamentares de “traidores” após os filhos do ex-presidente virem a público agradecer a Trump após encontro nos EUA.
Flávio Bolsonaro nega qualquer envolvimento com as sanções americanas. Segundo o parlamentar, a agenda da última semana com Trump solicitou formalmente que não houvesse taxas adicionais para o comércio do Brasil.
Impacto na economia
Elmano destacou ainda que o Governo do Estado irá realizar estudos para avaliar os possíveis impactos das novas tarifas sobre a economia cearense.
Os Estados Unidos mantêm a posição de principal parceiro comercial do Ceará há mais de três décadas. Somente em 2025, as exportações cearenses para o mercado norte-americano somaram R$ 5,2 bilhões, o equivalente a cerca de 46% de tudo o que o estado exportou nos últimos 12 meses.
O governador afirmou ainda que divulgará as medidas a serem adotadas quando as porcentagens oficiais foram definidas. Elas estão estipuladas entre 25% e 12%.
Em agosto de 2025, o governo americano aplicou uma tarifa de 50% em toda mercadoria brasileira, sendo posteriormente revogada para apenas algumas categorias de produtos.
As taxas foram suspensas pela Suprema Corte norte-americana em fevereiro deste ano.
A nova proposta agora deve partir do Escritório de Comércio, dentro da legalidade. Alguns produtos ainda podem ficar de fora da lista de taxações, como carne, café, frutas, aeronaves e minerais críticos.
Em paralelo, os principais produtos vendidos pelas empresas cearenses aos Estados Unidos, entre eles ferro, aço, peixes, crustáceos e calçados, poderão ser afetados pelo tarifaço.




