Conforme a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), pelo menos 74,82 milhões de brasileiros tiveram dívidas atrasadas em abril. O volume representa 44,69% da população adulta, e cresceu em 0,81% em comparação ao mês anterior.
O Novo Desenrola Brasil, lançado em maio deste ano, deve reduzir o número de brasileiros com dívidas atrasadas até agosto, e dá luz à importância da educação financeira para fugir da inadimplência. O programa terá mobilização de 90 dias e visa beneficiar a população fornecendo negociação das despesas.
A inadimplência acontece quando uma pessoa ou empresa deixa de cumprir com suas obrigações financeiras nos prazos acordados com o credor, segundo o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).
A diferença entre dívidas, é que esta é um compromisso financeiro com datas de pagamentos pré-definidas.
Especialista fala sobre inadimplência e o novo programa
Para a assessora de cooperativismo da Sicredi Veredas, Katia Normandia, o aumento da inadimplência no Brasil se dá devido à falta de educação financeira.
“Tanto na escola, quanto na vida. Os pais não receberam educação, então não tem ensinar aquilo que eles não sabem [aos filhos] […] Criou-se toda essa narrativa em relação ao dinheiro, e hoje temos extrema dificuldade em lidar com esse assunto”, afirma.
Além disso, de acordo com a especialista, questões emocionais também estão ligadas ao assunto: “As pessoas pensam no ‘eu quero agora, eu preciso disso’, e acabam fazendo péssimas escolhas financeiras, como gastar mais do que ganham”, declarou Katia.
Para ela, a solução é fazer uma “fotografia financeira” analisando todos os ganhos e gastos. “Se você for CLT, tem que ter guardado seis vezes o seu custo fixo mensal […] se for autônomo, tem que ter 12 vezes o valor guardado”, explicou.
Ela continua: “É muito importante pensar nisso, é complicado saber do futuro do Brasil. Você precisa cuidar de você”, finalizou Katia.
Desenrola Brasil: saiba como funciona
A iniciativa conta com quatro fases: Desenrola Famílias, com renegociação de dívidas, uso do FGTS, consignado do INSS e público; Desenrola Fies; Desenrola Empresas, com Pronampe e Procred; e o Desenrola Rural.
Na primeira fase, será fornecido crédito novo para pagar, com descontos, dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 e que estejam atrasadas entre 90 dias e 2 anos, com cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC). Confira o que a dívida renegociada terá:
- Descontos entre 30 a 90%;
- Taxa de juro máxima de 1,99% ao mês;
- Até 48 meses de prazo;
- Prazo de até 35 dias para pagamento da primeira parcela;
- Limite da nova dívida (após descontos) até R$ 15 mil por pessoa, por instituição financeira;
- Garantia do FGO.
Para participar do Desenrola, a população deve procurar os canais oficiais dos bancos. Podem participar da iniciativa brasileiros com renda de até 5 salários-mínimos, ou seja R$ 8.105.
Já na segunda fase, que contempla o Fies, poderão ser negociadas dívidas vencidas e não pagas há 90 dias, há mais de 360 dias de estudantes fora do CadÚnico e não pagas há mais de 360 dias de estudantes do CadÚnico.
Já a terceira fase favorece pequenas empresas com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões por ano.
O Pronampe sofrerá alterações como: carência sairá de até 12 para até 24 meses; prazo máximo da operação subirá de 72 para 96 meses, diluindo o peso do pagamento da dívida no caixa da empresa; tolerância no atraso para concessão de novos créditos subirá de 14 para 90 dias; e aumento do valor total do crédito de R$250 mil para R$500 mil.
Já o Desenrola Rural fará a regularização de dívidas e a reinserção produtiva de agricultores familiares, facilitando o acesso ao crédito rural. A ação permite que mais agricultores familiares renegociem e liquidem suas dívidas antigas.
Para conferir mais informações acerca do programa, basta acessar o link pelo site do Governo Federal.




