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‘Super’ El Niño está confirmado por meteorologistas e pode atingir o Brasil com intensidade extrema

Fenômeno climático já começou no Oceano Pacífico e pode provocar mudanças significativas no regime de chuvas, ondas de calor e eventos extremos em diversas regiões brasileiras até 2027
Por Sandra Costa
Atualizado há 16 horas
Tempo de leitura: 4 mins
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O El Niño altera a circulação atmosférica global e influencia diretamente os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta. Foto: NASA Overview

| URB AGORA com Alexandre Medeiros

O fenômeno climático El Niño foi oficialmente confirmado por organismos internacionais de monitoramento meteorológico nesta quarta-feira (10) e já acende o alerta entre cientistas, governos e produtores rurais em diversas partes do mundo. As projeções indicam que o evento poderá ganhar força nos próximos meses e, segundo alguns modelos climáticos, tem potencial para figurar entre os mais intensos já registrados. 

Caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, o El Niño altera a circulação atmosférica global e influencia diretamente os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta.

De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM), existe cerca de 80% de probabilidade de o fenômeno se consolidar entre junho e agosto de 2026, índice que sobe para aproximadamente 90% no restante do ano.

Especialistas alertam que o atual cenário é potencializado pelo aquecimento global. As temperaturas oceânicas já se encontram acima da média histórica, o que pode amplificar os efeitos tradicionais do fenômeno e aumentar a ocorrência de eventos climáticos extremos, como secas severas, enchentes, ondas de calor e tempestades intensas. 

No Brasil, os impactos variam de acordo com a região. Estudos do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) apontam que o Sul do país poderá registrar aumento das chuvas, com maior risco de enchentes, deslizamentos e eventos hidrológicos extremos. Já o Norte e o Nordeste tendem a enfrentar redução das precipitações, agravamento da seca e aumento do risco de queimadas e incêndios florestais.

A região central do país, incluindo partes do Centro-Oeste e do Sudeste, poderá sofrer com temperaturas acima da média, períodos prolongados de estiagem e baixa umidade relativa do ar. 

No caso do Nordeste, o fenômeno é acompanhado com atenção especial devido à influência direta sobre a estação chuvosa. Historicamente, episódios de El Niño costumam reduzir a ocorrência de chuvas em parte da região, afetando reservatórios, abastecimento hídrico e atividades agrícolas.

Impactos na agricultura e nos alimentos

Além dos efeitos climáticos, especialistas destacam possíveis reflexos econômicos. A alteração dos regimes de chuva pode comprometer safras agrícolas em diversas partes do mundo, afetando a produção de grãos, frutas e outros alimentos. Isso pode gerar pressões sobre preços e cadeias globais de abastecimento. 

Pesquisadores também alertam para possíveis impactos sobre recursos hídricos, geração de energia e segurança alimentar, especialmente em regiões mais vulneráveis às mudanças climáticas. 

Preparação e monitoramento seguem enquanto intensidade dos eventos ainda é incerta

Embora o fenômeno já esteja confirmado, cientistas ressaltam que ainda não é possível determinar com precisão qual será sua intensidade máxima. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) destaca que os modelos climáticos apontam para um evento de intensidade ao menos moderada, mas ainda existe incerteza sobre a possibilidade de um episódio extremamente forte. 

O próprio Cemaden ressalta que alguns cenários internacionais indicam potencial para um evento comparável aos mais intensos já observados, mas as previsões de longo prazo continuam sujeitas a atualizações conforme novos dados forem incorporados aos modelos climáticos.

Diante do cenário, organismos internacionais e autoridades brasileiras reforçam a necessidade de planejamento e monitoramento contínuo. A Organização Meteorológica Mundial recomenda que governos e setores econômicos utilizem os sistemas de alerta antecipado para minimizar impactos sobre populações vulneráveis, agricultura, infraestrutura e recursos naturais.

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