Trabalhadores informais que mantêm seus empréstimos em dia, mas enfrentam taxas de juros elevadas, devem ser o público-alvo da nova etapa do Desenrola Brasil. A previsão do Governo Federal é lançar ainda neste mês o chamado Desenrola Adimplentes, programa voltado à renegociação de dívidas de crédito pessoal para reduzir o custo do financiamento e evitar o superendividamento.
Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a iniciativa busca atender principalmente profissionais sem vínculo formal de trabalho, como autônomos e trabalhadores por conta própria, que costumam ter mais dificuldade para acessar crédito em condições favoráveis. “É o informal, que ele não tem vínculo com renda fixa, renda firme para apresentar para instituição financeira. Em razão disso, ele paga um juros mais alto no crédito pessoal, porque ele não tem garantia para dar”, afirmou o ministro em entrevista ao portal Metrópoles.
A proposta prevê a renegociação de empréstimos pessoais sem consignação, modalidade conhecida como Crédito Direto ao Consumidor (CDC). Poderão participar trabalhadores que possuam dívida de até R$15 mil e que já tenham quitado, no mínimo, cinco parcelas consecutivas sem atraso.
Taxas e juros
A expectativa do governo é reduzir as taxas cobradas nessas operações para uma faixa entre 3,49% e 3,99% ao mês. Atualmente, os juros médios do crédito pessoal sem garantia giram em torno de 7% ao mês, segundo dados mais recentes do Banco Central.
A nova fase do programa deve contemplar entre 3 milhões e 4 milhões de brasileiros. Diferentemente da edição anterior, voltada à regularização de débitos em atraso, o foco agora é oferecer condições mais vantajosas para quem mantém as contas em dia, mas compromete parcela significativa da renda com juros elevados.
A estratégia também busca prevenir a inadimplência. Em entrevista recente à Rádio Nacional, Durigan afirmou que a medida funciona como um incentivo para que os consumidores continuem honrando seus compromissos financeiros, reduzindo o risco de endividamento futuro.
Desenrola Brasil
Lançado em 2023, o Desenrola Brasil já beneficiou cerca de 6 milhões de pessoas, das quais aproximadamente 4 milhões conseguiram quitar suas dívidas, segundo o Ministério da Fazenda.
Os detalhes operacionais da nova fase ainda serão divulgados pelo governo federal, mas a expectativa é que a adesão ocorra por meio das instituições financeiras participantes, seguindo modelo semelhante ao adotado nas etapas anteriores do programa.




