O mercado financeiro manteve a expectativa de inflação acima da meta estabelecida pelo Banco Central, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (29). Apesar disso, o Produto Interno Bruto (PIB) e o câmbio se mantiveram estáveis.
As projeções indicam que o IPCA deve encerrar 2026 em 5,33%, enquanto a estimativa para 2027 subiu de 4,15% para 4,17%. Para 2028, a previsão permaneceu em 3,70%.
Mesmo sem grandes mudanças na comparação com a semana anterior, os números mostram que o mercado ainda não vê a inflação com um resultado comum para a meta de 3% nos próximos anos.
Para o gerente de investimentos da Sicredi Veredas, Anderson Ferreira, CEA, CFP®, esse cenário continua exigindo cautela por parte do Banco Central.
“As expectativas seguem distantes da meta e isso torna o trabalho de ancoragem mais desafiador. Enquanto o mercado continuar projetando uma inflação acima do objetivo, a tendência é que a política monetária permaneça restritiva por mais tempo”, afirma.
Economia brasileira continua mostrando resistência
Em relação à atividade econômica, o Focus trouxe uma pequena revisão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). A expectativa para 2026 passou de 1,98% para 1,99%. Já para 2027, houve leve recuo, de 1,70% para 1,68%, enquanto a projeção para 2028 permaneceu em 2%.
Na avaliação de Anderson Ferreira, os dados mostram que a economia brasileira continua demonstrando resistência, embora sem perspectiva de um crescimento mais acelerado nos próximos anos.
“O mercado continua enxergando uma economia resiliente no curto prazo, mas ainda com um ritmo moderado de expansão no médio prazo. Não houve uma mudança significativa nesse cenário”, explica.
As projeções para a taxa básica de juros também reforçam esse ambiente. A estimativa para a Selic ao fim de 2026 permaneceu em 14%, enquanto para 2027 ficou em 12%. Já para 2028, a previsão passou de 10,25% para 10,50%.
Segundo o especialista, o movimento acompanha o comportamento das expectativas para a inflação.
“Quando a inflação permanece acima da meta e a atividade segue aquecida, o mercado passa a projetar juros elevados por um período maior. É justamente isso que aparece nas estimativas para 2028”, destaca.
No câmbio, a projeção do dólar permanece em R$ 5,20 ao final de 2026. Para 2027, a estimativa passou de R$5,27 para R$5,28, enquanto para 2028 avançou de R$5,30 para R$5,35.
Para Anderson Ferreira, apesar do bom desempenho do real ao longo deste ano, alguns fatores podem pressionar a moeda brasileira nos próximos meses.
“O real tem se comportado bem em 2026, mas a queda do preço do petróleo merece atenção. Como o Brasil é um importante exportador da commodity, uma redução nesse valor pode diminuir a entrada de dólares no país e contribuir para uma desvalorização da moeda ao longo do tempo”, conclui.




