O dólar está em queda nesta quinta-feira (2), com investidores repercutindo dados de emprego dos Estados Unidos mais fracos do que o esperado.
O payroll, relatório oficial, apontou que 57 mil postos de trabalho foram criados em junho, abaixo dos 110 mil projetados. Os números enfraqueceram apostas de alta de juros pelo Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano), dando impulso à procura por ativos de risco em todo o mundo.
Às 13h03, a moeda recuava 0,2%, cotada a R$ 5,198, seguindo a tendência do exterior. Já a Bolsa tinha alta de 0,41%, a 172.398 pontos.
Mesmo com o resultado pior do que o esperado, a taxa de desemprego dos Estados Unidos recuou de 4,3% para 4,2%, contrariando as previsões de estabilidade.
“De modo geral, o dado de emprego de junho reafirma a narrativa de um mercado de trabalho em equilíbrio, sem grandes sinais de reaceleração da economia, tampouco de enfraquecimento”, diz André Valério, economista sênior do Inter.
Segundo ele, o relatório pode retirar parte da pressão sobre o Fed, que, na última reunião de política monetária, surpreendeu os investidores ao adotar uma comunicação “hawkish”, isto é, dura no combate à inflação.
Com o mercado de trabalho em equilíbrio, o consumo das famílias tende a ficar estável, reduzindo pressões inflacionárias. Ao considerar o arrefecimento das tensões no Oriente Médio e a consequente normalização dos mercados de energia, o cenário abre a porta para uma possível desaceleração dos preços aos consumidores americanos.
“Em conjunto, os números reduzem a percepção de que a economia permanece tão robusta quanto sugeriam os indicadores divulgados no mês passado, especialmente no que diz respeito ao mercado de trabalho”, diz Leonel Mattos, analista de inteligência de mercado da StoneX.
O Fed trabalha com um mandato duplo: o objetivo é calibrar a política monetária para garantir o máximo emprego e a inflação em torno de 2% ao ano. Isso quer dizer que, ainda que o payroll tenha vindo benigno, os investidores também precisam analisar os dados de inflação para tentar antecipar os próximos passos do Fed.
O relatório PCE, que monitora preços de itens de consumo pessoal e é a métrica inflacionária favorita do banco central americano, subiu 4,1% nos 12 meses até maio ou seja, mais de 2 pontos percentuais acima da meta do Fed.
Kevin Warsh, novo presidente do Fed, tem reafirmado que a autoridade monetária será combativa à alta de preços.
“Se houver pessoas entre as famílias, no setor empresarial ou nos mercados financeiros que pensaram que este banco central ficaria à vontade com uma meta de inflação acima de 2% bem, acho que ficarão decepcionadas: vamos garantir a estabilidade de preços nos EUA”, disse ele na quarta-feira (1°), durante o fórum anual de política monetária do BCE (Banco Central Europeu) em Sintra, Portugal.
Diante desse cenário, investidores diminuíram as apostas de um aperto monetário mais rápido por parte do Fed. Se, antes do relatório, o mercado trabalhava com a possibilidade de alta de juros já em setembro, agora as expectativas se deslocaram para outubro.
“Ou seja, o mercado não deixou de precificar uma nova alta de juros, mas passou a enxergar menos urgência para que o Federal Reserve promova esse ajuste no curto prazo, adiando as expectativas para os próximos meses”, diz Mattos.
“Esse movimento reduz a atratividade dos títulos do Tesouro americano (treasuries), dificulta a entrada de capital nos Estados Unidos, enfraquece o dólar em âmbito global e, consequentemente, exerce pressão para baixo sobre a taxa de câmbio no Brasil.”
Com informações da Folhapress




