Antes de completar um ano em vigor, a lei que restringe o uso de celulares nas escolas brasileiras já foi incorporada à rotina da maioria das instituições de ensino do país. Levantamento divulgado pelo Ministério da Educação (MEC) mostra que 92% das escolas públicas e privadas adotaram a norma, que limita o uso dos aparelhos a situações com finalidade pedagógica, de acessibilidade ou relacionadas à saúde.
A pesquisa, realizada durante o primeiro ano de implementação da legislação, indica que a medida vem produzindo efeitos percebidos diretamente no ambiente escolar. De acordo com o professor Pablo Melo, coordenador pedagógico do ensino médio do Colégio Master, “a restrição do uso de celulares tem proporcionado resultados bastante positivos”.
“Observamos um aumento na atenção e no engajamento dos estudantes durante as aulas, além de uma redução significativa das distrações. Também percebemos uma melhora nas interações presenciais, com alunos conversando mais entre si nos intervalos e participando de forma mais ativa das atividades propostas”, destacou.
Antes da legislação, uma parcela das instituições permitia o uso de celulares em qualquer ambiente e horário. Com a nova norma, esse cenário praticamente desapareceu, enquanto aumentou o número de escolas que optaram por restringir o uso dos aparelhos em todos os espaços da unidade, mantendo exceções apenas para atividades pedagógicas conduzidas pelos docentes.
Apesar da ampla adesão, a implementação ainda enfrenta desafios. Entre eles estão a adaptação dos estudantes, especialmente no ensino médio, e a necessidade de conscientizar famílias e comunidades escolares sobre os objetivos da norma. O professor ressalta: “O maior desafio foi promover uma mudança de cultura. O celular passou a fazer parte da rotina dos estudantes e, naturalmente, a adaptação exige tempo, diálogo e conscientização. No Colégio Master, esse processo foi conduzido com muita comunicação junto às famílias, aos professores e aos próprios alunos, esclarecendo que a medida não tem caráter punitivo, mas educativo. Hoje, percebemos uma adaptação cada vez mais natural, com maior compreensão sobre os benefícios da iniciativa para o ambiente escolar”.
Na avaliação da Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação, a aceitação da legislação demonstra que a restrição ao uso não pedagógico dos celulares contribuiu para melhorar a dinâmica das escolas, reduzindo as distrações e favorecendo um ambiente mais propício ao ensino e à socialização entre crianças e adolescentes.




