Cresceu o número de jovens no Brasil que não estudam, não trabalham e que também não buscam uma oportunidade no mercado de trabalho. De acordo com dados divulgados pelo Ministério do Trabalho, nesta terça-feira (28), cerca de 5 milhões de brasileiros entre 14 e 24 anos estão nesta situação, um aumento de 35% em relação ao ano passado.
Na soma com os jovens que não estudam e nem trabalham, mas que estão à procura de emprego, o total de brasileiros que fazem parte da chamada “geração nem-nem” chega a 8,6 milhões atualmente. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em março deste ano revelou que essa porcentagem de brasileiros chega a 15,9%.
Para Adriana Beringuy, pesquisadora do IBGE, o incremento das oportunidades de trabalho e investimentos na educação foram responsáveis pela diminuição dessa parcela de pessoas nos últimos anos, mas reforça que “essa população foi sendo reduzida mais pela via mercado de trabalho do que necessariamente pela educação”.
Os dados do Ministério do Trabalho foram divulgados pela subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho, Paula Montagner. Em entrevista ao G1, ela explica que os números ainda são reflexo da pandemia de Covid-19 e que os números de jovens inseridos no mercado de trabalho atualmente não se equiparam aos da época, que era de 52,7% no 1º trimestre.
Conforme a pesquisa, do total de jovens ocupados, apenas 12% (cerca de 2 milhões) atuam em ocupações técnicas, atividades culturais ou da informática e comunicações, que têm menor taxa de informalidade. A maioria, cerca de 12 milhões, exerce ocupações de baixa qualificação ou remuneração, aponta o estudo.
Com relação aos jovens que ainda estão à busca de emprego, o IBGE também aponta que, entre aqueles com a faixa etária apropriada para os estudos, entre 15 e 17 anos, 11,3% trabalhavam e estudavam, 2,3% só trabalhavam, 81,2% só estudavam e 5,1% não faziam nem uma coisa nem outra.
Já para aqueles com 25 a 29 anos, 13,8% trabalhavam e estudavam, 59,2% só trabalhavam, 4,8% só estudavam e 22,3% não faziam nenhuma das duas coisas.



