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China volta a cobrar que Brasil entre na Iniciativa Cinturão e Rota

Por UrbNews
Atualizado há 2 anos
Tempo de leitura: 5 mins
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Tanto no lado da China como no do Brasil, o que se buscava nas reuniões preparatórias para o encontro da Cosban eram ações. (Foto: Agência Brasil)

Em negociações bilaterais nos últimos meses, a China voltou a defender que o Brasil entre na Iniciativa Cinturão e Rota, seu projeto de investimento em infraestrutura mundo afora. Já o governo brasileiro cobra cooperação chinesa em alta tecnologia e numa aliança de combate à fome.

Tanto no lado da China como no do Brasil, o que se buscava nas reuniões preparatórias para o encontro da Cosban (Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação), semana que vem em Pequim, eram ações, não mais discursos.

O motivo é que em agosto se completam 50 anos de relações diplomáticas e em novembro o líder Xi Jinping faz uma visita de Estado ao país. É preciso algo concreto, como ouviu a reportagem dos dois lados. Com a Cinturão e Rota, por exemplo, seria viabilizado o corredor ferroviário até os portos do Oceano Pacífico.

O vice-presidente Geraldo Alckmin, que divide com seu equivalente chinês o comando da Cosban, viaja neste sábado para o encontro, junto com o chefe da Casa Civil, Rui Costa, e outros ministros, parando antes na Arábia Saudita. Chega a Pequim na terça, quando inicia os contatos com líderes empresariais. O governo estima cem empresários brasileiros e cem chineses no evento.

Parte da agenda foi tratada na semana passada, também em Pequim, na reunião de três horas do assessor especial da Presidência, Celso Amorim, com Wang Yi, membro da cúpula do Partido Comunista e chanceler da China.

“É natural que o cinquentenário seja marcado por novas iniciativas”, diz Amorim, ao ser questionado sobre aderir à Cinturão e Rota. “O que vemos que pode ser positivo é ter uma cooperação em tecnologia avançada, por um lado, e trabalhar nessa aliança contra a fome e a desigualdade. Meu interlocutor concorda.”

Ele diz que a parceria estratégica sino-brasileira, “em termos grosseiros, assim, comerciais, é muito boa, mas falta um elemento de ponta, tecnológico”. Sem detalhar, diz que falou com Wang Yi sobre investimentos em painéis elétricos e baterias para os carros elétricos a serem fabricados pela chinesa BYD no Brasil, além de voltar a defender maior abertura de mercado à Embraer.

“E nós não queremos excluir ninguém”, acrescentou. “Estamos discutindo coisas semelhantes, não idênticas, mais na parte de infraestrutura, com os Estados Unidos. Eles nos têm procurado, por enquanto num nível mais técnico.”

Também na semana passada, em visita ao Brasil, inclusive à Embraer, a general Laura Richardson, chefe do Comando Sul dos EUA, voltado para a América Latina, criticou a Cinturão e Rota. “A soberania é retirada ao longo do tempo”, disse ela ao Valor, como aviso “para qualquer um que esteja pensando em aderir à Belt and Road Initiative” ou BRI, nome em inglês do projeto.

Questionada sobre a declaração, a porta-voz do ministério do exterior, Mao Ning, respondeu que a China já assinou documentos de cooperação no âmbito da Iniciativa Cinturão e Rota com mais de 150 países.

“Talvez você possa perguntar à enviada americana que especifique a soberania de qual país foi retirada ao aderir”, comentou. “Até onde sei, muitos países que aderiram à BRI se tornaram realmente mais capazes de proteger sua independência e soberania devido aos benefícios econômicos e sociais que ela trouxe.”

Ainda sobre Cinturão e Rota, acrescentou: “Acreditamos que o Brasil não será enganado por essa retórica infundada e tomará decisões de forma independente no interesse de seu próprio desenvolvimento”.

Por outro lado, Mao repetiu, como no final da visita de Lula no ano passado, que “a China está pronta para trabalhar por uma maior sinergia entre as estratégias de desenvolvimento dos dois países”, vinculando a BRI aos programas Nova Indústria Brasil (NIB) e Novo PAC. Alckmin, que é também ministro da Indústria e Comércio, responde pelo NIB. Rui Costa, pelo Novo PAC.

Também está na delegação o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro. Segundo o governo brasileiro, entre os produtos a serem tratados no encontro, visando maior acesso ao mercado chinês, estão café e uva.

Outros dois ministros, Wellington Dias (Desenvolvimento Social) e Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário), devem cuidar especificamente da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, cujo lançamento formal está previsto para a cúpula do G20.

Completam a comitiva a ministra do Planejamento, Simone Tebet, o ministro do Empreendedorismo, Márcio França, e a secretária-geral do Ministério das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha. Ao final da Cosban, na quinta, todos devem ser recebidos pelo líder Xi Jinping no Grande Salão do Povo, na Praça da Paz Celestial, no centro de Pequim.

Com informações da Folhapress

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