O filme “Ainda Estou Aqui”, dirigido por Walter Salles, atingiu 2 milhões de espectadores nos cinemas brasileiros e arrecadou R$ 8,9 milhões em um único final de semana. Além do sucesso de bilheteira, o filme foi escolhido para representar o Brasil na disputa por uma vaga na categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar de 2025.
A obra não apenas retrata a dura realidade da ditadura militar no Brasil, mas também destaca o impacto do Alzheimer, doença que afeta inúmeras famílias. Na produção, Fernanda Montenegro dá vida a Eunice Paiva, que faleceu em 2018 aos 86 anos e conviveu com Alzheimer por aproximadamente 14 anos.
Daniele Oliveira, psiquiatra e professora do curso de Medicina da Universidade Católica de Brasília, destaca que o filme “Ainda Estou Aqui” retrata toda a trajetória de uma paciente portadora de doença de Alzheimer, desde os impactos iniciais da família, de reconhecer os pequenos lapsos de memória, até a dificuldade da família em aceitar o diagnóstico.
“É um filme baseado em situações reais de uma família tão importante na nossa sociedade e que teve muito impacto, seja pela capacidade artística, seja pelo momento histórico, e são pessoas que impactam de fato a vida da gente”, pontua.
Além disso, a psiquiatra destaca que o cinema é uma forma incrível de mostrar como as doenças podem impactar a vida das pessoas e da sociedade, e como as pessoas podem, seja como cidadãos, seja como operadores de políticas públicas, pensar em novas formas de atuar perante essas doenças, principalmente as neurodegenerativas.
Alzheimer
A Doença de Alzheimer é uma doença neurodegenerativa progressiva e irreversível, que afeta principalmente a memória e o comportamento. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), ela é a forma mais comum de demência, representando entre 60% a 80% dos casos.
No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, centros de referência do Sistema Único de Saúde (SUS) oferecem tratamento multidisciplinar integral e gratuito para pacientes com a doença, além de medicamentos que ajudam a retardar a evolução dos sintomas da condição, que afeta 1,2 milhão de pessoas e 100 mil novos casos são diagnosticados por ano.
Isabel Araújo, neurologista, comenta que filmes como o “Ainda Estou Aqui” são essenciais para conscientizar sobre o Alzheimer e outras doenças neurodegenerativas, especialmente no Brasil, onde o envelhecimento populacional é uma realidade.
“O impacto psicológico retratado no filme pode auxiliar todos a entenderem melhor o que significa viver com Alzheimer e a maior valorização do papel do cuidador familiar, inspirando discussões sobre o envelhecimento e políticas inclusivas”, explica a neurologista.
Oscar 2025
De acordo com dados da ComScore, empresa americana de análise de internet, o filme brasileiro “Ainda Estou Aqui”, que é a aposta do país para o Oscar 2025, alcançou o primeiro lugar nas bilheterias, superando lançamentos como “Wicked” e “Gladiador II”.
A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, organização profissional honorária dedicada ao desenvolvimento da arte e ciência do cinema, confirmou a elegibilidade do filme para competir na edição de 2025, incluindo-o na lista de produções nas categorias de animação, documentário e filme internacional, divulgada em 22 de novembro.
Outros filmes que tratam sobre o Alzheimer
Longe Dela (2006)
Fiona, com Alzheimer, é internada em uma instituição. Seu marido, Grant, enfrenta a dor da perda gradual da esposa, enquanto ela desenvolve um novo vínculo com outro residente, complicando ainda mais a relação deles.
A Memória que Me Contam (2012)
Documentário sobre mulheres que sofreram tortura durante a ditadura, abordando a memória e como experiências passadas podem ser apagadas ou distorcidas ao longo do tempo, o que remete a questões de Alzheimer.
Para Sempre Alice (2014)
Alice, uma professora de 50 anos, é diagnosticada com Alzheimer precoce e luta para lidar com a perda de suas habilidades cognitivas, enquanto busca manter sua identidade e conexão com a família.
Meu Pai (2020)
Um homem idoso luta contra o Alzheimer, confundindo a realidade e suas memórias, enquanto sua filha tenta cuidar dele. O filme apresenta a doença do ponto de vista do paciente, criando uma experiência desconcertante sobre a perda de identidade.
Por Laysa Melo.




