Play Video
Pará

Governador do Pará, Helder Barbalho decide revogar lei polêmica sobre ensino no estado

Por UrbNews
Atualizado há 1 ano
Tempo de leitura: 4 mins
Compartilhe a notícia:
Com a medida, Barbalho pretende encerrar semanas de mobilizações contra a nova legislação. (Foto: Marco Santos/Ag.Pará)

O governador do Pará, Helder Barbalho, decidiu revogar a Lei 10.820/2024, que trata da carreira dos professores e da rede estadual de ensino, após resistência da categoria e das populações indígenas.

Nesta quarta-feira (5), Barbalho, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará, lideranças indígenas, quilombolas e ribeirinhas assinaram um termo de compromisso para o fim das manifestações e para a elaboração de um novo Estatuto do Magistério e Plano de Cargos, Carreiras e Salário dos profissionais públicos da educação básica paraenses. Um grupo de trabalho deverá ser formado com representantes do governo, dos professores e de populações tradicionais.

Com a medida, Barbalho pretende encerrar semanas de mobilização contra a nova legislação. A Secretaria de Educação do Pará (Seduc) encontra-se ocupada por manifestantes desde 14 de janeiro.  

“Quero pedir a colaboração de vocês nesse debate, nessas discussões, para que a gente possa ter uma lei robusta e a melhor lei que garanta direitos e acima de tudo, que garanta as especificidades que a educação indígena tem, para que a gente possa também enviar para a Assembleia Legislativa”, disse o governador em nota.

No caso dos indígenas, a maior preocupação é com o que alegam ser a substituição do ensino presencial pelo ensino à distância em algumas regiões remotas do Pará, prejudicando o acesso de diversas tribos à educação. Entidades de povos quilombolas também aderiram ao movimento.

O coordenador executivo da Associação dos Povos Indígenas Brasileiros (Apib), Kleber Karipuna, comemorou a abertura do processo de diálogo para construção da legislação específica e diferenciada para a educação escolar dos povos indígenas do do Pará. “Acho que agora a gente tem os elementos fundamentais de um acordo para garantir a criação da lei específica para toda a educação escolar indígena e a carreira de professores indígena também no estado do Pará”, disse.

O Sindicato das Trabalhadoras e dos Trabalhadores em Educação Pública do Estado do Pará (Sintepp) afirma que a lei acaba com a progressão automática de carreira e, sem discussão, promove alterações prejudiciais na jornada e na remuneração de professores. A categoria está em greve desde 23 de janeiro.

Outra questão que motiva a articulação é a retirada de representantes do Sintepp na Comissão Permanente de Avaliação, o que acabaria conferindo ao titular da pasta de Educação, Rossieli Soares, mais poder decisório. Os grevistas pedem a exoneração do secretário.

O governo do Pará vinha defendendo a legislação, que foi aprovada na Assembleia Legislativa do Pará no fim do ano passado e sancionada em dezembro. A gestão estadual nega que haja qualquer ameaça ao acesso das populações tradicionais à educação, afirmando haver um problema de comunicação em torno do tema.

Segundo o Sintepp, um entendimento pela elaboração de uma outra lei, em substituição à atual, havia sido alcançado em 31 de janeiro, em reunião entre representantes dos professores e do governo paraense. Na ocasião, o governo se comprometeu a “construir uma nova legislação, tornando sem efeito a lei (atual)”, segundo nota divulgada pelo sindicato.

Supremo

A decisão de Barbalho ocorre também depois da Apib ter proposto uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF), pedindo que a lei paraense seja considerada inconstitucional. A relatora, ministra Cármen Lúcia, deu prazo de cinco dias para a manifestação do governo.  

O Ministério Público Federal (MPF) também oficiou o Ministério da Educação para que o governo federal interferisse na controvérsia. Em comunicado divulgado em janeiro, o Ministério dos Povos Indígenas informou acompanhar de perto a situação, tendo enviado representantes para acompanhar as negociações no Pará.

Em nota, a pasta disse que atua “na mediação e no fornecimento de subsídios para que qualquer solução proposta fortaleça a educação indígena e garanta o cumprimento dos direitos indígenas à educação específica e diferenciada.”

Felipe Pontes, Agência Brasil

213
Compartilhe

Assuntos

Notícias relacionadas

Com aporte de R$ 8 mi, Helder Barbalho entrega novas viaturas ao Corpo de Bombeiros do Pará
Pará
Com aporte de R$ 8 mi, Helder Barbalho entrega novas viaturas ao Corpo de Bombeiros do Pará
Nova sede da Secretaria de Povos Indígenas será entregue após a COP30, anuncia governador do Pará
COP30
Nova sede da Secretaria de Povos Indígenas será entregue após a COP30, anuncia governador do Pará
Governador do Pará e prefeito de Belém classificam como ‘preconceituosa’ fala de chanceler da Alemanha
COP30
Governador do Pará e prefeito de Belém classificam como ‘preconceituosa’ fala de chanceler da Alemanha
Com aporte de R$ 8 mi, Helder Barbalho entrega novas viaturas ao Corpo de Bombeiros do Pará
Pará
Com aporte de R$ 8 mi, Helder Barbalho entrega novas viaturas ao Corpo de Bombeiros do Pará
Nova sede da Secretaria de Povos Indígenas será entregue após a COP30, anuncia governador do Pará
COP30
Nova sede da Secretaria de Povos Indígenas será entregue após a COP30, anuncia governador do Pará
Governador do Pará e prefeito de Belém classificam como ‘preconceituosa’ fala de chanceler da Alemanha
COP30
Governador do Pará e prefeito de Belém classificam como ‘preconceituosa’ fala de chanceler da Alemanha
Inspirado no Vale do Silício, governador do Pará lança Vale Bioamazônico durante a COP30
COP30
Inspirado no Vale do Silício, governador do Pará lança Vale Bioamazônico durante a COP30

Inscreva-se em nossa Newsletter!

A forma mais rápida de manter-se atualizado.
Receba as notícias mais recentes, de segunda a sexta-feira, diretamente na sua caixa de e-mail.