Três parlamentares cearenses querem adotar a proposta do projeto de lei denominado “Anti-Oruam”, que visa proibir a contratação, com recursos públicos, de artistas cujas músicas promovem o crime e o tráfico de drogas. A medida foi inicialmente apresentada na Câmara Municipal de São Paulo pela vereadora Amanda Vettorazzo (União).
Agora, os vereadores cearenses Julierme Sena (PL) e Soldado Noélio (União), e a deputada federal Dayany Bittencourt (União-CE) pretendem replicar o texto. Para além desses, o projeto vem ganhando força em todo o Brasil e já foi protocolado em 12 capitais.
Em uma postagem no X, na última quinta-feira (6), a vereadora publicou uma lista com os nomes dos parlamentares que endossam a proposta. “Mais de 150 PARLAMENTARES entre vereadores, deputados estaduais, deputados estaduais e senadores protocolaram a Lei Anti-Oruam.”, declarou.
Sob pena de multa de 100% do valor do contrato, o principal objetivo do texto é impedir que prefeituras e governos estaduais financiem apresentações de artistas que incentivam o crime organizado ou promovem o tráfico de drogas.
Ameaças
A proposta de Vettorazzo ganhou destaque por sua ligação com o rapper carioca de 24 anos Oruam, filho de Marcinho VP, um dos líderes da facção criminosa Comando Vermelho. Durante o Lollapalooza 2024, Oruam usou uma camiseta com um pedido de liberdade para seu pai, que está preso por crimes como homicídio qualificado e tráfico de drogas.
Com mais de 13 milhões de ouvintes mensais no Spotify, o cantor transita entre os estilos funk, trap e rap, abordando em suas músicas temas como ostentação, sexo e drogas.
Ao saber da proposta feita por Vettorazzo, Oruam reagiu com indignação e a usou como alvo em suas redes sociais. Em um vídeo publicado nos storys do Instagram, ele a chamou de “doente mental” e criticou a escolha dele como exemplo. Além disso, afirmou que “canta o que vive” e se referiu a Amanda como “sua idiota”.
O rapper também compartilhou o perfil da vereadora e, em seguida, escreveu: “Tropa do 22, vamos dar fama pra ela”. O número “22” é o apelido dado pelos seus fãs. A postagem provocou uma série de ameaças enviadas por seus seguidores a Amanda.
Diante das ameaças, a vereadora registrou um Boletim de Ocorrência, e a Câmara Municipal de São Paulo ofereceu segurança adicional, garantindo que ela receba escolta de guardas municipais 24 horas por dia.



